Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

CBF cobra R$ 100 mil para familiares dos jogadores viajarem na Copa

Parentes dos atletas da seleção brasileira poderão acompanhar equipe, mas têm de ficar em hotéis separados

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2018 | 07h00

Quando o coordenador de seleções Edu Gaspar esteve na Rússia pela primeira vez, a mando da CBF, para verificar a logística da seleção durante a Copa e uma cidade para se estabelecer, ele já tinha a intenção de encontrar também um lugar para instalar as famílias dos jogadores do time.

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A comissão técnica do Brasil sempre defendeu a ideia de aproximar os familiares dos atletas durante a competição, tradicionalmente um período longo fora de casa e de muita pressão no caso dos brasileiros. A intenção é boa, mas terá um custo para cada familiar na ordem dos R$ 100 mil. Esse valor inclui hospedagem (em Sochi, nas proximidades do hotel da seleção), translado de aeroportos e voos para os jogos – o Brasil estreia contra a Suíça em Rostov, dia 17; depois, embarca para São Petersburgo a fim de duelar com Costa Rica; e encerra a participação na primeira fase diante da Sérvia, em Moscou.

Os familiares não viajarão com o elenco. Também não terão acesso à concentração, a não ser nos dias de descanso. Tite estima que o elenco terá de três a quatro dias livres – ou meio período em algumas ocasiões.

O valor não está tão fora dos preços praticados na Rússia nessa época do ano, quando o frio já deu uma trégua e as cidades-sede estarão repletas de torcedores por causa do Mundial. A procura por hotéis é maior, o que faz os preços subirem.

Mas a conta é simples e está na ponta do lápis. O jogador que quiser levar para a Rússia cinco familiares ou amigos, ou ainda uma turminha com esse número de pessoas, vai gastar R$ 500 mil. Em troca, como os hotéis ficarão próximos um do outro, terão o privilégio de estar sempre bem acompanhados nas horas vagas. Neymar, por exemplo, ainda não disse se pretende levar Bruna Marquezine. Certamente, o craque do Brasil estará com seu pai, amigos inseparáveis e grandes parceiros, e com alguns de seus "parças".

Alguns familiares de profissionais da seleção acharam o valor pedido pela CBF alto demais. O fato de o país-sede ter escrita e idioma diferentes e não ser um destino comum aos brasileiros freou a vontade de embarcar com a seleção. Nem todos levarão seus familiares.

No Brasil, quatro anos atrás, algumas das principais seleções credenciadas para a disputa optaram em ter as famílias ao lado. Foi o caso, por exemplo, da Holanda, para quem a seleção perdeu de 3 a 0 na disputa do 3.º lugar, em Brasília. Foi a partida seguinte aos 7 a 1 da Alemanha.

O time holandês, que não está na Copa da Rússia, abriu sua concentração para os familiares. Antes do jogo contra a Espanha, ainda na primeira fase, os atletas comandados pelo técnico Louis Van Gaal almoçaram com mulheres e filhos. Uma festa. Foram depois para a Fonte Nova, na Bahia, e ganharam de 5 a 1 do time espanhol. Os italianos, que também não vão para a Rússia neste ano, se valeram do mesmo expediente no Brasil.

Não há dúvidas para Tite e Edu Gaspar de que a presença dos familiares e amigos será benéfica para os jogadores. A CBF muda nesse sentido, ou se aprimora, abrindo a concentração em dias de folga, também porque entende que isso pode ajudar muito os atletas na missão de disputar bem a Copa.

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