CBF decide manter árbitros mineiros afastados por corrupção

Sete árbitros estavam envolvidos em esquema de superfaturamento na compra de passagens aéreas

Eduardo Kattah, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 20h42

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu manter a punição de afastamento aos sete árbitros mineiros acusados de envolvimento em um esquema de superfaturamento na compra de passagens aéreas. Conforme a entidade, o presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa, lembrou nesta quinta-feira que a Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) já puniu os árbitros mineiros.  O caso veio à tona em agosto de 2007, a partir de uma denúncia do Gama, que disputava a Série B do Campeonato Brasileiro. Na quarta-feira, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, Corrêa avaliou que a decisão resguarda a entidade, principalmente após a condenação recente pelo STJD de Enéas Eugênio Aguiar por falsificação do diploma escolar com a finalidade de ingressar no quadro de árbitros da CBF.  "Já encaminhei o ofício à Federação Mineira para indicar outros árbitros", disse Corrêa. "Não podemos nos arriscar de um deles vir a comprometer o nome de uma instituição e de uma categoria".  A Federação Mineira de Futebol (FMF) também deverá confirmar a exclusão dos árbitros das competições regionais, mas até o final da tarde desta quinta, conforme a assessoria da entidade, a questão não havia sido definida pelo presidente da comissão de arbitragem da FMF, Lincoln Afonso Bicalho. A assessoria também não confirmou se Bicalho iria apresentar uma lista de novos árbitros à CBF. No entanto, três árbitros ouvidos pelo Estado no início da noite confirmaram que também foram afastados pela FMF.  Além de Eugênio Aguiar, foram atingidos pela decisão da CBF José Carlos de Souza, Osmar Dias Camilo, Sérgio Luiz Avelino, Aurélio Gomes, Alexandre Santos Conceição e Clever Assunção Gonçalves - que trabalhou em dez partidas na Série A do Brasileirão em 2007.  Clever negou a prática de superfaturamento e disse que já se considera um "ex-árbitro". Ele contestou a decisão da confederação - segundo ele, corroborada pela FMF -, já que já tinha cumprido a pena de 120 dias de suspensão imposta pelo STJD.  "O senhor Lincoln Afonso Bicalho e o senhor Sérgio Corrêa estão fazendo o papel de juiz hércules, mais superior que o tribunal", criticou. "A pena de 120 dias venceu em 19 de dezembro e desde então passamos a fazer testes físicos, nos preparamos para voltar", lamentou.  Alexandre Santos disse que recebeu com estranheza a decisão. "A punição que tínhamos de cumprir, já cumprimos. Estamos sendo injustiçados, vamos nos reunir para ver que atitude tomar".  José Carlos de Souza reforçou o discurso: "Tomaram uma medida maior do que o tribunal. Se é que cometemos alguma irregularidade, o tribunal puniu e nós cumprimos a pena. O jogador, quando é punido por doping ou outra coisa, ele cumpre e volta depois. Mas com o árbitro é diferente".  Contatado pela reportagem, Eugênio Aguiar disse que o caso seria tratado apenas por seu advogado. Os outros três árbitros não foram localizados.

Tudo o que sabemos sobre:
CBFSTJDafastamentoarbitros

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.