Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

CBF defende protocolos adotados e decide pela permanência do futebol no Brasil

De acordo com a entidade, esporte está "seguro, controlado e responsável, com todas as condições de continuar"; ela se vale de renomados infectologistas para confirmar a segurança de seus métodos contra a covid-19

Fabio Hecico, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 12h35

O futebol brasileiro não vai parar. Ao menos na visão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que divulgou na manhã desta quarta-feira relatório defendendo o seu protocolo de segurança para a continuidade dos campeonatos no País, mesmo no auge da pandemia, com o número de mortes diária chegando a 2 mil. De acordo com a entidade, o futebol está "seguro, controlado e responsável, com todas as condições de continuar." A CBF usou renomados infectologistas para confirmar a segurança de seus métodos de prevenção à saúde de todos os envolvidos nas partidas de futebol. 

"Mesmo com cenário intenso (de covid no Brasil), não há a transmissão do vírus em campo, durantes as partidas. A contaminação não ocorre em campo, só por comportamento social incorreto ou quebra de protocolos", garantiu Bráulio Couto, professor da UniBH, com mais de 30 anos de experiência em serviços de epidemiologia hospital.

"Todos os jogadores são avaliados antes dos jogos e lembrados que, ao apresentarem qualquer problema respiratório, devem avisar aos clubes e ficarem em isolamento", disse. "Com esses dois pilares, o teste nasal e o PCR em assintomáticos, conseguimos compartilhar um resultado de grande sucesso, garantindo que não houve contaminação dentro de campo, nenhumadentro das quatro linhas." A CBF vai levar os resultados positivos de seu controle rigoroso da covid-19 para um congresso de futebol da Fifa, em junho, na cidade de Viena - de forma virtual.

Para Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade de Infectologia, a CBF contribuiu cientificamente de forma inédita no combate ao coronavírus. Para ele, foi uma "contribuição social", pois está obrigando o atleta assintomático a ficar isolado, em casa. "Evita-se assim que ele passe a doença a seus familiares e para pessoas do convívio social fora do campo", destaca.

Para o grupo de especialistas reunidos pelo neurocirurgião Jorge Pagura, coordenador médico da CBF, a temporada de 2020 do futebol brasileiro foi muito segura desse ponto de vista. "Os exames provaram que é seguro ter futebol desde que o protocolo seja seguido à risca. E afastar das atividades quando tem sintoma. Fazer exame sempre", afirmou Clóvis Arns. "90% dos casos diagnosticados em jogadores de futebol foram sem sintomas. Ao afastá-lo, evitamos a transmissão."

Entre agosto e o fim da temporada, marcada pela final da Copa do Brasil, domingo passado, a CBF realizou testes em jogadores envolvidos em 2.423 partidas, em todos os Estados e divisões do País. Foram feitos 89.052 exames do tipo PCR em pessoas envolvidas nos jogos, 13.237 somente em atletas. Nenhum jogador entrou em campo sem ser testado. "Mesmo com algumas equipes passando por surtos por causa de motivos diferentes, não vamos citar nomes ou equipes, nosso inquérito epidemiológico provou não haver contaminação no campo", afirmou Pagura. 

A CBF, portanto, defende que não há brechas em seus métodos. "Repito, não há evidência de contaminação entre jogadores numa partida. Mas vamos usar o caso do Valdivia (do Avaí), pois esse foi amplamente noticiado e podemos citar o nome. Ele jogou o primeiro tempo (diante do CSA) e saiu no intervalo. Foram feitos 19 testes no CSA e ninguém testou positivo. Seis dias depois, repetimos mais 18 testes e nenhum positivo. Mais alguns dias e outros 19 testes realizados e novamente nada de positivo. A análise das interações entre clubes mostra total segurança nos jogos e temos provas que não houve transmissão."

AJUSTES PARA 2021

A CBF apresentou ajustes no protocolo para a temporada 2021. Eles dizem respeito ao processo de testagem e acompanhamento de atletas e comissão técnica. Os testes RT-PCR serão feitos até 72h antes de cada partida nos atletas e comissão técnica. Os elencos também serão testados 72 horas depois de cada jogo como visitante, principalente se o jogo seguinte estiver marcado em cinco dias. Jogadores contaminados devem ser notificados à CBF.

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