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CBF deixa claro seu recado aos árbitros ruins, de campo e do VAR: serão afastados no dia seguinte

Entidade, finalmente, mexe no vespeiro, passa por cima da Comissão de Arbitragem e avisa que não vai tolerar mais erros berrantes de juízes e membros da salinha das imagens

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2022 | 15h48

A CBF deixou bem claro seu recado para a arbitragem do futebol brasileiro, de campo e da salinha do VAR. Vai afastar no dia seguinte quem fizer lambança no dia anterior. Não tem mais conversa. Foi assim que a entidade procedeu após os erros do árbitro Luiz Flávio de Oliveira e seus cúmplices do VAR. Todos foram para a geladeira em menos de 24 horas após os equívocos na partida entre Flamengo 0 x 0 Athletico-PR, pelas quartas de final da Copa do Brasil.

A CBF não tomou qualquer conhecimento do costumeiro mimimi da Comissão de Arbitragem, sempre tentando proteger a turma do apito de suas vadiagens, com explicações mirabolantes para justificar faltas não marcados, gols dados erroneamente ou não dados e assim por diante. No jogo do Maracanã, que teve Luiz Flávio como protagonista (negativo), ele deixou de marcar um pênalti berrante para o time do Rio e não expulsou dois jogadores do Fla, Gabigol e Arrascaeta, por faltas violentas, beirando a agressão.

Isso aconteceu um dia depois de a própria CBF e os membros da Comissão de Arbitragem se colocarem de joelhos, assumirem erros no primeiro turno do Brasileirão e prometerem que isso não iria mais acontecer. Aconteceu. A CBF vai continuar afastando os árbitros ruins, mas somente quando os erros forem desconcertantes, como esquecimento de procedimento (sim, aconteceu), abuso de poder e falta de ação. Por favor, juizada, não entenda "falta de ação" com a necessidade de intervir a todo instante. Não é isso. É deixar passar lance que pode ser analisado.

Os árbitros de campo sem personalidades também estão na mira da CBF. O fato de eles serem chamados para a cabine do VAR não significa que precisam dizer "amém" aos seus colegas da sala do VAR. O chamamento é o que ele é, de fato: um chamamento para olhar a imagem e tomar sua posição. Não quer dizer "mudar" sua posição. Até agora os juízes de campo não aprenderam isso. Chegam à cabine tremendo.

Então, para essa juizada fraca há anos, segunda-feira será um tormento. Todos eles vão ficar roendo as unhas com medo de o telefone tocar. "Alô, aqui é da CBF!" Isso quer dizer que "deu ruim". Vão para a geladeira. Tenho comigo que os árbitros sabem exatamente quando vão bem e quando vão mal, quando erram lances que não poderiam ou tomam decisões confusas e equivocadas. Os de campo e os do VAR. Eles sabem.

O problema é que se a CBF mantiver essa postura firme, temo que em três semanas a geladeira estará cheia, sem espaço para mais árbitros. É um risco, mas não há outro caminho. É claro que o afastamento requer medidas incentivas de aprimoramento e revisão de conceitos. Sem elas, de nada adianta. Penso que a CBF deveria escolher dez árbitros de campo e dez líderes do VAR para trabalhar com eles, de modo a padronizar conceitos e rever tudo o que eles sabem ou acham que sabem.

Deveria insistir com esse grupo até que os árbitros ficassem nos trinques. Depois, faz a mesma coisa com mais dez e dez e dez... E assim muda a péssima arbitragem brasileira, forjada por federações estaduais quando deveriam ser formados nacionalmente, com a simplicidade das regras do futebol.

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