CBF desiste de relatório alternativo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desistiu de apresentar um relatório alternativo para concorrer, nesta quinta-feira, com o do relator da CPI do Futebol, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). O recuo é atribuído pelos senadores à "consistência" das denúncias investigadas pela CPI nos últimos 14 meses. "Os fatos mostrados são graves e verdadeiros", defende o senador Maguito Vilela (PMDB-GO). De acordo com o senador Gilvan Borges (PMDB-AP), da bancada da bola, a única manifestação da CBF será o voto contrário, de cerca de oito laudas, que ele apresentará no decorrer da votação do relatório oficial da comissão. O documento de 1600 páginas deve ser aprovado por 11 votos a 1, de Gilvan. O fato de ser o único aliado da CBF a resistir, levou o senador a se comparar aos integrantes do Taliban, do Afeganistão. "Estou sozinho, desarmado e esperando o ataque", resume. Outro senador que votaria contra o relatório, João Alberto (PMDB-MA), estará viajando. Seu suplente, Walmir Amaral (PMDB-DF), vai votar pela aprovação.A CPI propõe a criação de uma subcomissão, no âmbito da Comissão de Educação, encarregada dos desdobramentos das denúncias no Ministério Público e nos tribunais. A intenção, segundo o presidente da CPI, Álvaro Dias (PDT-PR), é a de impedir o arquivamento dos fatos apurados.A falta de providência igual na Câmara dos Deputados dificulta o acompanhamento nos Ministérios Públicos dos Estados das denúncias investigadas pela CPI da CBF/Nike, cujo relatório não foi votado. O encaminhamento aos procuradores estaduais foi feito pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, já que a ele compete unicamente providenciar a abertura de inquérito contra pessoas que têm foro privilegiado, como parlamentares e governadores.Brindeiro disse que avaliará as denúncias com rapidez. No caso da CPI do Futebol, o único nome que vai parar nas mãos de Brindeiro é o do presidente do Vasco da Gama, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ), acusado pela comissão de crime eleitoral, apropriação indébita, sonegação, crimes tributários e falsidade ideológica.Teixeira - No relatório da CPI, o senador Geraldo Althoff mostra nas 533 páginas que tratam de irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a forma "doméstica" como o presidente Ricardo Teixeira dirige a entidade. Althoff atribui a "administração personalista" do dirigente ao fato dele estar no cargo a 12 anos, alheio a qualquer tipo de fiscalização ou de repreensão. Além do desvio de elevadas somas de dinheiro, como o R$ 1,3 milhão da aplicação feita pela CBF no Banco Vega, Teixeira é denunciado por "espertezas" difíceis de explicar para quem tem um patrimônio elevado como o seu. É o caso de ter adquirido por R$ 49 mil o veículo volvo comprado pela CBF por R$ 68,19 mil, um ano e poucos meses antes. O desconto do 30% não foi citado à companhia de seguro que lhe pagou R$ 74,75 mil, em maio de 1997, pela perda total do carro num acidente. Também chamou a atenção do relator o fato do dirigente pagar aos advogados contratados para defendê-lo em processos que nada tinham com futebol e a suas empresas com dinheiro da confederação. Outra denuncia que comprovaria o fato do dirigente agir como se estivesse administrando algo de sua propriedade, é o abuso no uso do cartão de crédito pago pela entidade. De acordo com a CPI, o cartão bancou o gasto de R$17 mil feito na Casa Lidador, que vende bebidas importadas e outros produtos finos. Outra do mesmo gênero: a CBF doou, na véspera das eleições municipais do ano passado, R$ 86 mil para a prefeitura de Piraí, no Rio de Janeiro, onde estão as fazendas de RicardoTeixeira. Fazendas estas que forneciam, sem licitação, leite e derivados para a CBF.

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