Cesar Greco/Agência Palmeiras
Cesar Greco/Agência Palmeiras

CBF determina 'parada médica' para jogos das 11 horas no Brasileiro

Entidade tem como referência medida tomada na Copa de 2014

Estadão Conteúdo

28 Agosto 2015 | 19h37

Após críticas de jogadores e treinadores, a CBF decidiu implantar a parada técnica obrigatória em todas as partidas disputadas às 11 horas no Campeonato Brasileiro. Em ofício publicado nesta sexta-feira, a entidade definiu uma "parada médica" em cada tempo, com duração de três minutos, para amenizar os efeitos do calor nos jogos das manhãs de domingo.

"Em partidas realizadas às 11h, haverá paradas médicas aos 30 minutos dos dois tempos de jogo, tendo como referência os procedimentos adotados na Copa do Mundo de 2014. O cronômetro não será pausado e serão adicionados três minutos depois do período regulamentar, independentemente dos outros motivos que podem gerar acréscimos", anunciou a CBF.

A entidade determinou que as paradas só serão realizadas quando os termômetros registrarem ao menos 28 graus. Em caso de temperatura inferior ou de chuva, os árbitros não deverão paralisar o jogo.

A medida vem ao encontro do pedido dos jogadores, preocupados com o calor nesta segunda metade do Brasileirão. Mesmo no inverno, atletas e treinadores reclamaram das altas temperaturas em algumas partidas disputadas às 11 horas, um dos momentos mais quentes do dia.

No dia 16, o Palmeiras venceu o Flamengo por 4 a 2 no Allianz Parque com temperaturas alcançando os 30 graus. O calor causou mal-estar em ao menos dois jogadores do time paulista. Lucas pediu para sair no intervalo e Dudu chegou a vomitar no gramado na segunda etapa. Ao fim do jogo, o elenco palmeirense fez coro para reclamar do horário da partida. 

Em outra decisão anunciada nesta sexta, a CBF liberou o atendimento médico emergencial em campo sem a autorização dos árbitros. "Se o médico do clube observar algum desmaio, queda súbita ou choque de cabeça e não conseguir avisar ao árbitro, ele pode entrar no gramado, mesmo sem autorização prévia", determinou a entidade.

A maior preocupação é com os choques de cabeça, recorrente neste Brasileirão. "Hoje o futebol mudou muito. Até 40 anos atrás, o futebol era mais de craques do que de atletas. Hoje a condição atlética é muito grande, o jogo aéreo ocupa mais do que um terço, mais do que dois terços às vezes de um jogo. E o trauma na cabeça é quase inevitável. Isso exige uma atenção especial dos árbitros e médicos", argumentou o presidente da Comissão Nacional dos Médicos de Futebol (CNMF), Jorge Pagura.

MÃO NA BOLA

Entre outras definições, a CBF mostrou preocupação com as recentes polêmicas de toque de mão na bola nas últimas rodadas, envolvendo principalmente os times que brigam pela ponta da tabela. A entidade reiterou que o critério de "mão deliberada", ou seja, a intenção do jogador no momento do lance, deve ser a principal referência aos árbitros.

No entanto, fez uma ressalva: "A Fifa ampliou o conceito de ação deliberada, que hoje não se limita, apenas, à clássica situação da mão em direção da bola e da bola em direção da mão. Por consequência, também caracterizam infração os contatos da bola com a mão ou braço quando um jogador, mesmo não tocando a mão na bola de forma deliberada, assume o risco do contato".

"Esse risco se caracteriza quando o jogador impulsiona seu corpo em direção da bola ou quando, mesmo não praticando qualquer ação, atua com os braços separados do corpo (ação de bloqueio e posição antinatural)", explicou a CBF. "Recomendamos aos árbitros que continuem assistindo com muita frequência aos vídeos ilustrativos da Fifa, foram disponibilizados para todos, inclusive federações e clubes, pois servem de importante norte para a boa interpretação."

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