CBF diz que Brasileiro está ameaçado

O Campeonato Brasileiro de 2001 pode não começar na data prevista, ou seja, em 1 de agosto, o que comprometeria o calendário quadrienal do futebol brasileiro, anunciado com pompa em 26 de junho. Isso ficou claro nesta terça-feira, após entrevista do vice-presidente jurídico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Carlos Eugênio Lopes.O problema manifestado pelo dirigente refere-se à briga na Justiça Comum pela inclusão do Remo no Campeonato Brasileiro. Lopes admitiu que a competição corre sério risco de ter suas datas alteradas ou mesmo de não ser disputada sob o controle da CBF.A polêmica teve início quando a prefeitura de Belém obteve, em 5 de junho, uma liminar na Justiça Comum que dá ao clube paraense o direito de disputar o Brasileiro de 2001, na Série A.A CBF recorreu da decisão, mas a justiça do Pará está em recesso e só poderá analisar os dois recursos impetrados pela entidade a partir de 1 de agosto. "Hoje, não se pode disputar o campeonato sem o Remo", declarou Lopes.Dessa forma, cresce a possibilidade de os grandes clubes criarem uma Liga Nacional para organizar e comandar o que seria o Brasileiro deste ano. "A CBF não discute decisão judicial", observou o vice-presidente jurídico.Outro entrave à consolidação do calendário foi marcado pela reunião de quatro horas entre sete presidentes de federações estaduais de futebol e diretores da CBF, nesta terça-feira, na sede da entidade.Os primeiros exigem que os campeonatos estaduais não sofram alterações. "Posso até ir à Justiça Comum para garantir que o Carioca terá 12 clubes, incluindo os quatro grandes", disse Eduardo Viana, da Federação do Rio.No encontro, os dirigentes estaduais deixaram claro que a CBF não terá trégua se mantiver o calendário inalterado. "Queremos mudanças no nosso campeonato, com mais datas para a fase final", comentou Elmer Guimarães, da Federação de Minas Gerais.O vice-presidente da CBF, Nabi Abi Chedid, também saiu do prédio da Rua da Alfândega preocupado com as negociações. Ele afirmou que a CBF prometeu estudar a reivindicação das federações durante o segundo semestre.

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