CBF doou mais de R$ 5 milhões em 98

Apesar de o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, afirmar em seu depoimento, que ainda está acontecendo na Câmara dos Deputados, que a entidade vive uma situação de "penúria" desde 1995, a entidade torrou R$ 562,5 mil, só em 1998, com o financiamento de campanhas eleitorais de deputados federais e senadores aliados. No total, a CBF doou R$ 5.138.000,00 entre políticos e associações, como a dos funcionários da Polícia Federal, além de federações de futebol. As doações, que variaram entre R$ 5 mil e R$ 100 mil, foram parar no caixa de campanha de figuras da política nacional, como Delfim Netto (PPB-SP), o líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PFL-PI), o senador José Agripino Maia (PFL-RN), o presidente do Vasco, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) e o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que foi o mais privilegiado, tendo recebido ao todo R$100 mil. Outro beneficiado é Antônio Carlos Amorim Júnior, filho do desembargador Carlos Amorim, do Rio de Janeiro, que embarcou por conta da CBF no vôo para assistir gratuitamente a Copa do Mundo da França. As doações da CBF a políticos, feitas a um mês das eleições de 98, também foram parar no cofre de uma empresa de Manaus (AM), a Indústria e Comércio de Malhas Alex Ltda, segundo o deputado Pedro Celso. O dinheiro, R$ 14,9 mil, foi repassado a título de "auxílio" à Federação de Futebol de Rondônia. Ricardo Teixeira disse que não tem conhecimento de que o dinheiro passado à essa federação teria ido para uma empresa particular. Ele prometeu enviar à CPI informações "detalhadas" da operação. Sobre as doações de campanha, afirmou que são "perfeitamente legais" e ocorreriam de comum acordo com o colegiado da CBF, já que naquele ano a confederação perdeu o título de entidade sem fins lucrativos, tornando-se uma empresa. "Essas doações geralmente são feitas a pessoas que têm Ligação com a CBF?, explicou. "Elas se identificam com o nosso trabalho". Nike - Ele negou que a empresa patrocinadora da seleção brasileira, a Nike, interfira na escalação dos jogadores. A melhor prova de que isso não ocorre, segundo o dirigente, é o fato do então técnico Wanderley Luxemburgo ter recusado o pedido da empresa para escalar o atacante Ronaldinho num amistoso da Austrália. Teixeira apresentou dados comparativos com outros países para mostrar que os valores do contrato com a Nike estão acima da média do mercado. Segundo ele, a situação de dificuldade "crônica" nas finanças da CBF, a partir de 1995 foi provocada pela decisão da federação de abrir mão dos 5% que recebia da renda bruta do campeonato brasileiro e de mais 7,5% dos direitos de transmissão das partidas de futebol. "Além da taxa de 2% das transferências internacionais (de jogadores) entre 1998 e 2000, que teria causado um prejuizo de US$18 milhões.

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