CBF e Fifa darão dinheiro para estados que não recebem a Copa

Cerca de US$ 100 milhões serão destinados a municípios para a realização de projetos de desenvolvimento relacionados ao futebol

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 13h37

A Fifa vai dar cerca de US$ 100 milhões para projetos de desenvolvimento do futebol no Brasil depois da Copa do Mundo e o pacote será canalizado pela CBF justamente para as federações estaduais que não receberam jogos do Mundial. Os recursos serão usados para construir campos de futebol, doar equipamentos esportivos e mesmo para questões médicas. 

Um valor exato ainda não é conhecido. Mas, em 2013, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, avaliou que o pacote seria de R$ 220 milhões, um valor similar ao que a África do Sul recebeu em 2010.  

Se a Copa no Brasil teve uma renda muito superior à anterior, a Fifa deve destinar ao futebol brasileiro apenas um porcentual mínimo para o futebol nacional. 2,5% dos ingressos obtidos com a Copa mais rica da história voltarão para o País. 

A CBF, que tem sua presidência eleita justamente pelos comandantes de cada uma das 27 federações estaduais, decidiu que o dinheiro iria para os estados que não receberam jogos da Copa. No dia 6 de julho, o primeiro projeto será inaugurado com um campo em Belém, cidade que ficou de fora da Copa apesar de já ter estádio e mesmo clubes em divisões nacionais.

Marin rejeitou que a distribuição do dinheiro tenha qualquer conotação política. Mas, durante a coletiva de imprensa no Maracanã para detalhar o plano, o presidente da CBF foi bombardeado por questões da imprensa estrangeira e nacional sobre gastos excessivos e suspeitas. 

O cartola foi questionado sobre o motivo pelo qual a CBF, apesar de milionária, jamais gastou no desenvolvimento do futebol de base em zonas pobres. 

Ele preferiu defendeu a construção de uma nova sede da CBF, que custou R$ 80 milhões, e insistiu que os gastos são para garantir que seus funcionários tenham "as melhores condições de trabalho". Ele também justificou os gastos da CBF na Granja Comary apontando para o "conforto" que o local oferece para os jornalistas. 

"Um país que foi penta campeão, não ter sede própria para exibir aos brasileiros uma conquista, é muito importante", disse. "Sem dúvida foi uma belíssima aplicação de investimento", completou. "Nunca houve condições de trabalho como nesta Copa. Posso garantir isso", insistiu o cartola. 

Questionado sobre o que tem feito pelo desenvolvimento do futebol brasileiro diante das acusações de corrupção, Marin listou as conquistas. "Em dois anos, inauguramos a Granja, o novo prédio da CBF, ganhamos a Copa das Confederações e se alguém tiver alguma denuncia, vamos apurar com todo o rigor", disse. 

Questionado sobre o motivo pelo qual a CBF não usou seu próprio dinheiro para desenvolver a estrutura do futebol pelo País, apesar de uma renda de R$ 400 milhões, Marin citou o investimento que faz na série D e C e respondeu ao repórter que "agradecia" a sugestão e que iria "considerar" a proposta. "A serie D e C são totalmente subsidiada. Pagamos transporte, hotel e bolas", disse. "Mas ele admitiu que sua gestão tem também como meta dar "condições de rentabilidade" para a CBF. Ou seja, lucros. 

Marin foi até mesmo obrigado a sair em defesa de seu antecessor, Ricardo Teixeira. " Nunca teci comentários sobre outro cidadão e não cabe a mim julgar. O doutor Ricardo Teixeira foi um vencedor, conquistou títulos para o Brasil e analiso sua conduta apenas como dirigente", respondeu. 

AUDITORIA

Apesar de o dinheiro ser destinado a locais indicados pela CBF, a Fifa garante que a entidade brasileira não terá um cheque em branco. Uma auditoria internacional será realizada e a decisão da liberação do dinheiro será tomada em Zurique. 

Isso seria resultado da experiência da Fifa com o fundo que criou para a África do Sul e que foi alvo de sérias polêmicas. Uma das denúncias é de que parte do dinheiro foi usado para comprar carros Mercedes Benz para os cartolas locais. 

Thierry Regenass, responsável da Fifa pelo fundo, admitiu que a estrutura do novo fundo será "diferente" no caso do Brasil. "Vamos acompanhar de perto", disse. Segundo ele, os projetos serão implementados pela CBF, mas com controles da Fifa e com a fiscalização da KPMG. Os recursos ficarão depositados em uma conta e liberados dependendo do projeto. 

Por enquanto, US$ 20 milhões já foram enviados ao Brasil e a Fifa ainda espera que o dinheiro seja usado para torneios locais e o desenvolvimento do futebol feminino. 

Marin ainda saiu em defesa da construção de estádios, como o de Manaus. Mas disse que os dirigentes terão de ser "criativos" para garantir que as arenas continuem a ser usadas. 

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