CBF e Nike de novo na mira do MP

O Ministério Público Federal (MPF) determinou a reabertura do inquérito que apura supostas irregularidades no contrato entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Nike, no valor de US$ 160 milhões. Novas investigações serão feitas pela Delegacia de Repressão aos Crimes Finaceiros (Delefin) da Polícia Federal. De acordo com o MPF, há indícios de que dirigentes da entidade tenham cometido crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e evasão de divisas nos negócios com a empresa americana de material esportivo.O procurador da República Marcelo Freire estranhou o arquivamento de vários inquéritos sobre possíveis delitos da CBF e de seus dirigentes, apurados durante duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), uma no Senado e outra na Câmara Federal, entre 2000 e dezembro de 2001.Ele já determinou a reabertura de quatro deles. Quer novas diligências, como o depoimento de várias pessoas e o recolhimento de documentos.A procuradora da República Andréa Baião está analisando outros dois inquéritos arquivados, que poderiam também incriminar a CBF, para decidir se devem ser reabertos.O delegado-chefe da Delefin, Antonio Ordacgy, disse que a Polícia Federal vai cooperar com o MPF a fim de ajudar nas investigações. Ele mesmo vai cuidar dos inquéritos referentes à CBF.Entre os inquéritos reabertos está o que apura outras supostas irregularidades envolvendo o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ele estaria sob suspeita de ter cometido crime de evasão de divisas por causa de uma remessa de US$ 500 mil para ?venda de uma casa simulada em Búzios?, como consta da representação entregue pelo MPF à Polícia Federal.O chefe da Assessoria de Imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, disse que a entidade ?é transparente, mantém as portas abertas a qualquer um e que publica regularmente seus balanços?. Ele, no entanto, questionou a reportagem publicada nesta sexta-feira no Estado, sobre inquéritos na Polícia Federal contra a CBF e Ricardo Teixeira. Classificou-a como ?factóide?.Ao ser informado que o Estado publicaria na edição deste sábado nova reportagem sobre outros inquéritos reabertos por ordem do Ministério Público Federal, o assessor da CBF fez um comentário estranho, por telefone, que soou como ameaça. ?Cada um escolhe seu caminho. Não pode é reclamar depois.? Ao ser perguntado sobre o que significava a frase, ele respondeu: ?Você é inteligente o suficiente para saber o que isso quer dizer.?No final deste ano, a CBF vai receber lista preliminar dos jornalistas encarregados da cobertura da Copa do Mundo de 2006 e pode limitar o número de credenciais por empresa.FAZENDA - Além de problemas com a Delefin, a CBF e seus diretores vão ter de se explicar à Delegacia de Polícia Fazendária da PF. Existe a suspeita de crimes de sonegação fical e previdenciária no pagamento dos salários de seus funcionários e dirigentes.O inquérito referente ao caso foi aberto pelo MPF depois de uma representação do deputado federal Doutor Rosinha (PT-PR) feita em 2004 à Procuradoria Geral da República. O parlamentar também quer que a investigação seja extensiva à declaração à Receita Federal dos valores oferecidos pela CBF a jogadores, comissão técnica e dirigentes como premiação pela conquista do Mundial de 2002.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.