Lucas Figueiredo/ CBF
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Robson Morelli
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CBF coloca em marcha uma grande reformulação interna de seus departamentos, como a turma do VAR

Presidente Ednaldo Rodrigues já mexeu no marketing e em outros setores da entidade, e procura um substituto para o cargo de Tite após a Copa do Mundo; novas mudanças são esperadas

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2022 | 10h08

A CBF colocou em marcha uma grande reformulação dentro da instituição. Sob a batuta do novo presidente, Ednaldo Rodrigues, cuja eleição aconteceu recentemente após o banimento do seu antecessor Rogério Caboclo, por assédio moral e sexual contra uma funcionária, os departamentos pouco conhecidos da Confederação Brasileira de Futebol serão reavaliados e mudados. Cargos de confiança do presidente anterior estão sendo extintos ou modificados, assim como seus ocupantes. A turma do marketing já teve baixas. Não se sabe ainda quem a comissão técnica liderada por Tite conseguirá salvar até a Copa do Mundo do Catar, como os colaboradores da comunicação, por exemplo. O ideal é que todos permaneçam até a competição em novembro.

Já se sabe que o treinador da seleção masculina não ficará no posto depois do Mundial deste ano. Há notícias de que o novo presidente não vai esperar pelos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, para tomar a mesma decisão em relação à treinadora Pia Sundhage, do time feminino, embora seu trabalho visa unicamente a Olimpíada na França. E ele ainda não está completo.

A troca mais barulhenta até agora, no entanto, se deu na comissão de arbitragem, mais precisamente no comando do VAR (árbitro de imagens), com a demissão de Sérgio Corrêa, um ex-árbitro de futebol. Outras nove pessoas ligadas à Comissão de Arbitragem também deixaram a CBF, como o Coronel Marinho. Não se sabe ainda se todas as vagas serão preenchidas.

Há duas leituras sobre as mudanças na turma do apito. Uma delas é de entendimento imediato e claro: o VAR e a arbitragem do futebol brasileiro são ruins. Não há quem conteste essa leitura, principalmente no que diz respeito ao uso do VAR, cujas regras nunca foram claras para quem as aplica e muito menos para quem está dentro do campo, tampouco para o torcedor, que nunca sabe o que está acontecendo no jogo com tantas paradas demoradas. O VAR foi reprovado no Brasil.

Nem mesmo a regra da mão na bola parece simples para os assopradores e seus pares do VAR. Cada um entende de um jeito, e todos estão convictos em suas explicações teóricas. Há nas TVs também muitos comentaristas com opiniões diferentes, alguns coniventes, outros nem tanto, para as situações polêmicas, de modo a ter muita gente falando e pouco entendimento prático. Nem entre os analistas o assunto parece claro. Cada rodada é uma emoção.

Dois pontos básicos fazem o torcedor virar as costas para o VAR: a demora para entender o que está acontecendo e tomar a decisão de campo e a não comunhão da tal mão na bola. Ninguém se entende nesse quesito. Assim, tudo parece dar errado. Há uma terceira situação tão dramática quanto as duas primeiras, que é quando a turma do VAR chama o juiz de campo para puxar sua orelha diante do vídeo e de milhares de torcedores ali presentes. O árbitro já chega diante da tela derrotado. Poucos mantêm suas opiniões.

As mudanças na CBF não vão parar por aí. Elas também servem como uma resposta aos patrocinadores, que ajudaram a entidade a registrar um faturamento recorde na temporada passada, de R$ 1 bilhão, com lucro líquido de R$ 69 milhões. Os parceiros da entidade ficaram muito incomodados com as acusações de assédio do presidente anterior, que tinha na modernidade sua maior bandeira. Não gostaram de ver o nome de suas empresas em meio à sujeira na sala da presidência.

A CBF fará de tudo para limpar sua imagem. Existe ainda a possibilidade de ganhar a Copa do Mundo, o que faria o restinho da sujeira ser empurrada para debaixo do tapete, como sempre acontece após as conquistas. Se o Brasil não conseguir o hexa, o novo presidente começará dali seu novo ciclo para o Mundial de 2026, em três países simultaneamente: Canadá, México e EUA.

Nesta semana, a entidade fez da arquiteta Luísa Rosa a primeira mulher na história a comandar uma diretoria na CBF. Ela tem 33 anos e foi escolhida para ser diretora de Patrimônio. Luísa está na CBF desde 2020 e era gerente de infraestrutura. Ela comandou o projeto de implantação de 15 centros de desenvolvimento do futebol em cidades pré-selecionadas pela CBF, como projeto do Fundo de Legado da Copa do Mundo de 2014. "Que isso possa incentivar todos que trabalham aqui, que estamos acompanhando o trabalho de cada um, que a gente procura fazer com que possamos dar mais oportunidade às pessoas daqui de dentro", afirmou o presidente Ednaldo Rodrigues.

 

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