CBF fará projeto para evitar mortes

A morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, na noite de quarta-feira, no confronto contra o São Paulo, no Morumbi, fez a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) determinar que o chefe do Departamento Médico da seleção, José Luis Runco, receba opiniões e elabore um projeto para prevenir a ocorrência de episódios idênticos.Outra medida tomada foi a de fazer com que ambos os times retornem a campo na quarta-feira, no mesmo local, às 20h30, sem a cobrança de ingressos, para completar o confronto interrompido aos 14 minutos do segundo tempo.Apesar do clima de consternação, a rodada do final de semana do Campeonato Brasileiro foi confirmada e nesta quinta-feira já ocorreu o sorteio dos árbitros, na sede da CBF, na Barra da Tijuca, zona oeste. O único jogo cancelado foi o do São Caetano contra o Paraná, transferido para o dia 10 de novembro, às 20h30, no Estádio Anacleto Campanella. "O certo seríamos cancelar toda a rodada do final de semana, mas, infelizmente, não teríamos datas para terminar o Brasileiro", explicou o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Armando Marques. ?Se eu fosse o presidente da CBF, após o ocorrido já teria paralisado toda a rodada. Mas, vale lembrar que ele não estava no Brasil." Marques felicitou o juiz Cleber Welington Abade (SP), que apitou o confronto entre São Caetano e São Paulo, por ter suspendido a partida. E ressaltou que o juiz demorou a interrrompê-la definitivamente. "Ele agiu certíssimo. Não tem nada no regulamento que prevê a paralisação de uma partida por causa da morte de um jogador. Só que ali havia uma comoção e não tinha mais como continuar", disse Marques."Todo juiz precisa ser inteligente e ter bom senso. E ele soube usar isso muito bem." Mas se Marques elogiou Abade e os outros árbitros pela conduta respeitosa, com as interrupções dos jogos para a realização de um minuto de silêncio, o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem criticou o juiz Rodrigo Cintra (SP), que apitou a vitória do Vasco sobre o Coritiba, por 1 a 0. Ele chamou a atenção do juiz paulista, que pediu uma nota oficial quando foi informado do ocorrido com o zagueiro do São Caetano e ainda errou ao validar o gol da vitória vascaína: "foi para a geladeira".Os sete dias de luto e a manifestação de pesar à família de Serginho e ao São Caetano foram a forma encontrada pela CBF para expressar sua consternação pelo episódio, que no enterro do jogador será representada pelo presidente da Federação Mineira de Futebol, Paulo Schettino. A Fifa e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também enviaram mensagens de apoio à entidade, ao clube paulista e aos parentes do atleta. A entidade sul-americana, inclusive, determinou que um minuto de silêncio fosse respeitado na partida entre Arsenal e Bolívar de La Paz, pela Copa Sul-Americana, prevista para esta quinta-feira. As rodadas deste final de semana das Séries A, B e C do Nacional também farão um minuto de silêncio.Na prática, a medida mais séria tomada pela CBF foi a destinada a Runco. O chefe do Departamento Médico da seleção conversará com médicos ligados ao esporte, recolherá opiniões sobre que procedimentos adotar para prevenir e como agir em situações semelhantes, com o objetivo de evitar que um atleta volte a morrer em campo. No final, preparará um estudo com as melhores sugestões.Durante todo o dia, a morte de Serginho foi comentada na CBF. O médico das categorias de base da seleção brasileira, Adilson Camargo, disse não acreditar que os profissionais do São Caetano tenham liberado o zagueiro para atuar, cientes de seus problemas cardiológicos."Nenhum médico iria liberá-lo, porque a responsabilidade seria grande", comentou Camargo. "Aqui fazemos exames em todos os jogadores e sempre aparece algum caso, que tratamos da melhor maneira possível, sem comprometer o atleta."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.