CBF fica irritada com 'desdém' de Felipão com a seleção

Enfatizando seu compromisso com o Palmeiras, técnico deixa de ser o favorito para vaga de Dunga

AE, Agência Estado

21 de julho de 2010 | 08h52

O comportamento de Luiz Felipe Scolari nos últimos dias desagradou a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Para a cúpula da entidade, em nenhum momento o treinador manifestou a intenção de dirigir a seleção brasileira. Muito pelo contrário, sempre que indagado sobre o assunto deixou claro que só pensava no Palmeiras e que não cogitaria a ideia de não cumprir seu compromisso, que vai até a metade de 2012.

Nesse contexto, o nome de Felipão esfriou e abandonou a condição de favorito à vaga de Dunga. O dia mais importante nesse processo foi a quinta-feira passada, data da apresentação de Scolari como técnico do Palmeiras. Até ali, ele era o preferido da direção da CBF para tocar o projeto para a Copa do Mundo de 2014.

Mas a repercussão das declarações do treinador durante sua entrevista coletiva não foi boa. O departamento de comunicação da entidade fez um levantamento com frases de Scolari sobre a seleção brasileira que circularam por jornais, sites, rádios e emissoras de tevê. Após a análise desse material, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não escondeu a insatisfação.

MAIS ENVOLVIMENTO - A cúpula da CBF esperava que Felipão se envolvesse pessoalmente na negociação para assumir a seleção. A atitude do técnico, porém, foi diferente. Ele disse que só sairia no caso de ser liberado pelo Palmeiras, pois não queria deixar o clube na condição de um profissional que rompe o que estava combinado.

Esse comportamento, porém, mexeu com uma questão política, uma vez que exigia uma negociação entre a direção da CBF e do Palmeiras. O problema é que a relação entre Teixeira e o presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo, não é boa, fato que criou o constrangimento que Teixeira tanto queria evitar. Para isso, no entanto, precisava da colaboração de Scolari, o que não ocorreu.

Diante das circunstâncias, a opção foi mirar em Mano Menezes, de quem Ricardo Teixeira já tinha todas as informações necessárias. Essas foram colhidas durante a Copa do Mundo, quando o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, atuou como chefe da delegação brasileira na África do Sul.

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