Lucas Figueiredo/ CBF
Lucas Figueiredo/ CBF

Clubes descontentes com a Libra criam novo grupo e acordo por liga fica mais distante

Há uma série de pontos divergentes entre os dois grupos, mas o principal deles envolve a razão de sempre: divisão de receitas

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 14h00

A tão prometida liga de clubes no futebol brasileiro, que pelos discursos dos cartolas há três meses parecia que finalmente sairia do papel, voltou a ficar distante. Nesta quarta-feira, dirigentes de 25 clubes que se opõem à proposta apresentada pela Liga do Futebol Brasileiro (Libra) decidiram criar um novo grupo, o que torna ainda mais evidente o racha existente entre eles.

Intenção antiga das principais agremiações do País, a criação de uma liga de clubes nunca teve o caminho tão aberto para sair do papel quanto agora. Isso porque, no acordo que garantiu a eleição por consenso de Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF, em março, o dirigente se comprometeu a dar liberdade aos clubes para organizarem o Brasileirão a partir de 2025 - algo que até então a CBF rechaçava.

O problema é que o mesmo consenso que se viu entre os 40 clubes das Séries A e B para eleger Ednaldo está longe de se repetir agora para a criação de uma liga. No início do mês passado, seis clubes da Série A - Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo - e dois da Série B (Cruzeiro e Ponte Preta) assinaram um documento que criou a Libra. Mais recentemente, Botafogo, Guarani, Ituano, Novorizontino e Vasco também aderiram.

Outros 25 clubes, porém, discordam de uma série de pontos do estatuto e dizem não encontrar espaço para diálogo. Por isso, eles se reuniram ontem na sede da CBF para formalizar um grupo próprio. “Não houve boa vontade do lado de lá (Libra). Na verdade, hoje com a Lei do Mandante, ninguém é mais do que ninguém. Se o Flamengo é o que é, o grande clube que é, o maior do Brasil, mas não joga sozinho”, disse Adson Batista, presidente do Atlético Goianiense, na saída do encontro.

“Nós queremos ser um bloco que pensa no futebol brasileiro de maneira racional, e não radical, pensando principalmente num bom produto, numa grande liga futura”, sustentou o dirigente, que foi um dos primeiros a sair. “Precisa ter flexibilidade de todos os lados. Se for radical, vai ficar do mesmo jeito. Nosso grupo quer ter poder de discussão, poder de negociação.”

O novo grupo ainda não tem nome definido, mas, assim como a Libra, será formalizado e também terá seu próprio estatuto. “Este estatuto já vinha sendo desenvolvido, e dentro dos próximos dias vamos marcar um novo encontro e formalizar”, afirmou Mario Bittencourt, presidente do Fluminense. “Não é a formalização de uma união que é contrária a qualquer coisa, mas sim para uma união no futuro.”

Há uma série de pontos divergentes entre os dois grupos, mas o principal deles envolve a razão de sempre: divisão de receitas. Enquanto a Libra propõe uma divisão em que 40% seja feita de forma igualitária, 30% por desempenho e outros 30% por audiência e engajamento - sem critérios muito claros quanto a isso -, o grupo contrário exige valores diferentes, com uma divisão de 45%, 25% e 30%, respectivamente.

“Nosso grupo buscou contato com o grupo que já está formalizado do outro lado, para que a gente pudesse discutir nossas ideias. Não tivemos inicialmente uma receptividade, um encontro, então a gente está buscando formalizar o nosso grupo, debater nossas ideias internamente, e depois buscar uma composição”, pontuou Bittencourt. “Se não for formalizada uma liga com todos os clubes, no final das contas pode ser que você acabe tendo um ou dois grupos vendendo direitos comerciais.”

Os 25 clubes do grupo que se reuniu nesta quarta-feira são América-MG, Atlético-GO, Atlético-MG, Athletico-PR, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Brusque, Chapecoense, CRB, Criciúma, CSA, Guarani, Londrina, Náutico, Operário, Sampaio Corrêa, Sport e Vila Nova. 

Do outro lado da mesa, até o momento, 13 clubes aderiram à Libra: Botafogo, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo, da Série A; e Cruzeiro, Ponte Preta, Novorizontino, Guarani, Ituano e Vasco, da Série B. Entre os outros 27 que compõem as duas principais divisões do Brasileiro, Bahia e Grêmio são os únicos que não se posicionaram favoravelmente a nenhum dos lados.

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