CBF não libera passe de Juninho

O impasse em relação à liberação do meia Juninho Pernambucano - que assinou contrato com o Lyon - é o primeiro conflito enfrentado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde que entrou em vigor, em 27 de março, a nova Lei do Passe. Há uma incoerência na atitude, pois a entidade tinha determinado, anteriormente, que a lei antiga só valeria para contratos anteriores à esta data. O contrato de Juninho expirou em janeiro, logo após a Copa João Havelange. Até hoje - quando pela primeira vez foi quesitonada pela Justiça comum -, a entidade não tinha recebido ações trabalhistas de atletas reinvindicando a posse de seus passes. Acompanhada de um oficial de Justiça, a advogada de Juninho, Gislene Nunes, foi à CBF, nesta sexta-feira, entregrar uma petição exigindo o cumprimento da decisão do Tribunal Superior Trabalhista (TST), que concedeu ao jogador o seu passe em disputa com o Vasco. Ao não dar o atestado liberatório para Juninho, a CBF alegou que o meia ainda estava em litígio com o clube. A situação é estranha porque a própria entidade estabeleceu, há algum tempo, que apenas os contratos assinados antes da lei seriam regulamentados pela lei antiga. Ou seja, o caso de Juninho já estaria enquadrado na nova lei. A CBF chegou a comunicar às federações estaduais sobre esse procedimento a ser adotado. Pelo que tinha informado às suas afiliadas, os contratos encerrados deveriam provocar uma proposta dos clubes de renovação aos atletas. No caso de Juninho, que brigou com a direção do clube, a recusa do jogador em negociar com o Vasco já foi anunciada. Mais: a CBF está desrespeitando um decisão judicial. Antes mesmo da Lei do Passe, Juninho tinha conseguido a posse sobre o seu passe porque o Vasco não pagava direitos trabalhistas. Por isso, o juiz da 41ª Vara Trabalhista do Rio, Luiz Roque Lucarelli, determinou que fosse cumprida decisão do TST na petição entregue por Gislene na entidade. Ainda estabeleceu que a CBF pague uma multa de 1/30 do salário que o jogador receberia do Lyon a cada dia que não conceder a sua liberação.

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 19h31

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