Divulgação/CBF
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CBF não se posiciona sobre auxílio financeiro, mas Série C voltará junto à Série B

Gestor do Ituano explica que carta enviada à entidade foi utilizada para abrir diálogo sobre a retomada da terceira divisão: 'Não havia contato nenhum'

Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2020 | 12h00

As 20 equipes participantes da Série C do Campeonato Brasileiro pediram um novo auxílio financeiro à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em carta, enviada na última quinta-feira, as agremiações integrantes da terceira divisão pediram que a competição voltasse ao mesmo tempo que as Séries A e B. O que foi acatado pela CBF.

“A Série B inicia no dia 8, na véspera (da Série A). Definimos com a Série C, que ela recomeçará na mesma data da B”, revelou Rogério Caboclo, presidente da CBF, ao jornal “O Globo”, no último domingo, 5. Contudo, a entidade disse ao Estadão que não se posicionará sobre o repasse de mais um auxílio.

Uma verba de R$ 4 milhões já havia sido liberada às equipes. O valor seria suficiente para cobrir as despesas salariais dos atletas, referentes aos meses de abril e maio. Contudo, esses meses se passaram e as despesas novamente voltaram a afetar os cofres dos clubes.

“O que ele (auxílio) significou em termos de apoio efetivo para cada clube é muito diferente. Isso porque a estrutura de receita das equipes é distinta. Há clubes que possuem uma participação muito grande de bilheteria na receita e, portanto, acabam sofrendo um pouco mais. A questão de patrocínio também é divergente, assim como as cotas e eventuais receitas oriundas de transferências de atletas. Na Série C existem clubes populares, médios e outros menores. Então, o tamanho do orçamento é diferente e a capacidade de financiamento alternativo também”, explicou Paulo Silvestre, gestor do Ituano.

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Há clubes que possuem uma participação muito grande de bilheteria na receita e, portanto, acabam sofrendo um pouco mais.
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Paulo Silvestre, gestor do Ituano

Segundo o dirigente, o pedido de início conjunto às demais divisões é secundário. O que os clubes da terceira divisão querem, de fato, é abrir um diálogo com a CBF para que possam voltar a jogar.

“Quando os clubes da Série C resolveram escrever para a CBF, foi, na verdade, uma manifestação de que nós queremos jogar. O diálogo, desde o início da crise tem se conduzido à questão financeira, que é importantíssima, mas não se falava em competição. Nas reuniões do Campeonato Paulista, por exemplo, falávamos em protocolo, datas e em formatos de treinos, enquanto na Série C não havia contato nenhum. Foi uma ideia para dizer: ‘CBF aqui estamos. Prontos. E, acima de tudo, querendo jogar. Então, vamos começar’. Iniciar (o torneio) ao mesmo tempo das Séries A e B é secundário. Queremos iniciar um diálogo sobre a volta da Série C”, explicou.

Apesar do primeiro repasse, Silvestre afirmou que a crise na terceira divisão continua generalizada. O gestor acredita na viabilidade de uma “nova rodada de auxílio”, para que os clubes possam iniciar a competição com suas folhas em dia, mas também enxerga a oportunidade da criação de receitas alternativas.

“O Ituano está conseguindo, com bastante sacrifício, atravessar essa crise. Porém, está sofrendo, assim como os outros clubes. Precisamos julgar, que se abram outras possibilidades de receita, como a transmissão via streaming, na internet, e a volta de patrocinadores, já que não teremos público. Não sei avaliar se o Ituano está sofrendo mais ou menos que as outras equipes da Série C, mas posso garantir que esse sofrimento é generalizado”, disse o gestor, que acrescentou: “Gostaria de acreditar que um novo auxílio financeiro para os clubes da Série C seja possível. Não sei se a CBF pretende ou tem condições de fazer isso, mas seria, obviamente, muito bem-vindo e muito necessário, para que todos possam manter a folha em dia e poder começar a competição com o mínimo de condições”, disse.

Na carta, os clubes afirmam que sustentam suas argumentações na própria CBF. De acordo com eles, a entidade máxima do futebol brasileiro está ciente das dificuldades que as equipes de menor porte financeiro tem passado para honrar seus contratos e compromissos.

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