CBF nega saída de Ricardo Teixeira

O presidente interino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Alfredo Nunes, negou que o presidente licenciado da entidade, Ricardo Teixeira, tenha entregue ao ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, um documento em que apresenta o pedido de renúncia para março de 2002. "O Ricardo nega a existência dessa carta", garantiu o dirigente.Alfredo Nunes é prefeito da cidade de Regeneração, a 140 quilômetros de Teresina (PI), e pediu licença do cargo para substituir Ricardo Teixeira, que deverá ficar afastado por mais quatro meses, devido a problemas cardíacos. "Tenho um compromisso com o povo regenerense, mas não podia de deixar de atender à solicitação de amigos aqui na CBF. Me considero uma pessoa leal."O dirigente não deixou claro, porém, se a possibilidade de renúncia de Ricardo Teixeira está realmente descartada. "Ele não me falou isso. O que tem me posto é que está com a saúde abalada."Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Alfredo Nunes afirmou que baixará uma RDI (Resolução de Diretoria) até terça-feira, estabelecendo normas para a criação e funcionamento das ligas. "A CBF vai desconhecer a existência dos clubes que venham a participar de competições organizadas por ligas não ´ligadas´ à confederação", assegurou.Alfredo Nunes revelou que manteve um contato com Carlos Melles dias atrás, com quem falou sobre a criação das ligas. De acordo com o presidente interino, a CBF não recebeu nenhum ofício ou comunicado sobre o funcionamento da Liga Rio-São Paulo. "Nunca fomos consultados sobre essa liga". Como exemplo do que precisa ser feito, Alfredo Nunes citou a Liga do Nordeste, cujos representantes, Paulo Carneiro e Luciano Bivar, estiveram nesta quinta-feira na sede da Confederação, no Rio, para adequar o estatuto da nova entidade às exigências que serão feitas pela CBF.O dirigente adiantou ainda que recebeu circular da Fifa, segundo a qual só as confederações poderiam determinar sobre arbitragens, registros de jogadores e exames antidopings de competições nacionais, o que limita o poder da futura Liga Nacional. Segundo Alfredo Nunes, as ligas criadas com o aval da CBF não terão direito a voto na entidade. As federações estaduais continuarão cuidando apenas das competições locais.Alfredo Nunes também foi direto ao dizer que o processo de reestruturação do futebol do País não passa nem pelo ministro Carlos Melles e nem por Pelé, dois do grupo de notáveis criado para elaborar e dar suporte ao novo calendário do esporte. "Tem que ser algo mais amplo, com a participação da sociedade", defendeu.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2001 | 19h58

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