Cesar Greco/ Ag. Palmeiras
Cesar Greco/ Ag. Palmeiras

CBF nega ter orientado árbitros a coibirem comemorações de gol

Nos últimos dias, três jogadores foram punidos com cartão amarelo após balançarem as redes; ex-juízes veem exagero

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2018 | 07h00

A CBF negou que tenha orientado os árbitros do Campeonato Brasileiro a agirem com mais rigor nas comemorações de gol. Só nas duas últimas rodadas, três atletas foram advertidos com cartão amarelo após balançarem as redes. 

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O meia palmeirense Lucas Lima foi punido no clássico da última quinta-feira, contra o Santos, por supostamente provocar a torcida santista no Pacaembu ao mostrar a parte de trás da camisa com seu nome. No domingo, novamente em um jogo do Palmeiras, o meia Moisés levou o amarelo após fazer o primeiro gol da partida no Allianz Parque. O mesmo aconteceu com o atacante Luan, do Atlético-MG. A diferença em relação ao caso de Lucas Lima é que o motivo dessas duas advertências não foi provocação, mas “perder tempo excessivo na comemoração de um gol”, conforme indicou na súmula o árbitro Péricles Bassols Cortez. 

A rigidez dos homens do apito começa a incomodar. No Twitter, a hashtag #deixacomemorar começa a ganhar força. O próprio Moisés a utilizou para falar do seu gol em um post publicado no dia seguinte à partida:

 

Entre os comentaristas de arbitragem, a opinião também é de que tem sobrado rigor e faltado bom senso.

“Há um exagero. Em vários outros jogos, as comemorações demoraram mais e o árbitro não mostrou cartão amarelo. Sábado, no Morumbi, a comemoração foi mais demorada e sem cartão”, diz o ex-árbitro Salvio Spinola, hoje comentarista dos canais ESPN, referindo-se ao gol do são-paulino Reinaldo contra o Corinthians em que ele e alguns colegas simularam gestos como se estivessem empinando uma pipa.

O cartão mostrado ao palmeirense Moisés se deu também após uma encenação: o meia pegou o equipamento do fotógrafo do clube, que estava à beira do campo, levou-o até atrás do gol e “cravou” o tripé no chão como se fosse um cajado. “É uma comemoração que eu tenho com a torcida por causa do apelido (Profeta). Estão tentando inibir a gente até de comemorar um gol, um momento tão marcante no futebol. É uma vergonha”, reclamou o jogador.

Procurado pelo ESTADO, o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, Marcos Marinho, negou que tenha mudado algo em relação à orientação para que a arbitragem seja mais rígida nesse tipo de situação: “A conduta deve ser avaliada pelo árbitro, levando em consideração que comemorações ‘coreográficas’ não devem ser estimuladas e não podem causar perda de tempo excessiva. Se entender que a perda de tempo ou uma coreografia feita possam provocar reações entre os atletas ou torcedores, tal conduta deve ser inibida”, afirmou.

Marcado no relógio? De acordo com o também comentarista Leonardo Gaciba, da Rede Globo, não existe um tempo máximo de espera que o árbitro deva respeitar na comemoração do time que marcou o gol: "É tudo questão de bom senso. O que eu fazia quando apitava era ir caminhando no ritmo dos jogadores para o centro do campo. Se na hora de reiniciar o jogo com os dois times já posicionados o cara ainda estivesse lá comemorando sozinho, aí já era demais. Era uma técnica de arbitragem que eu usava".

O que é passível de punição são celebrações com máscaras – quem curtiu futebol nos anos 90 vai se lembrar do ex-atacante Paulo Nunes, por exemplo–, gestos ofensivos ao adversário ou à sua torcida, e subir no alambrado ou em escadas próximas às arquibancadas para festejar com os torcedores. "Isto, já dá para compreender. Quando o torcedor observa o ídolo vindo na sua direção... Todo mundo quer tocar no cara, abraçá-lo. Aí é uma questão de segurança", ressalta Gaciba.

Falta inteligência. Um juiz da Série A ouvido pela reportagem, mas que pediu para não ser identificado, disse que os cartões nesses casos mencionados acabam jogando contra a própria arbitragem. "Erro no jogo, às vezes, faz parte. Velocidade, ângulo... Sobre isso, nem sempre temos controle. Agora, sobre esses cartões, temos. Necessita mais inteligência", cobra.

De acordo com Leonardo Gaciba, há outra problema a ser avaliado por quem apita: o cartão amarelo mostrado precipitadamente pode fazer falta lá na frente. "A arte de saber aplicar o cartão amarelo também faz o grande árbitro", conclui.

 

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