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CBF negocia jogo com agência indiciada nos Estados Unidos

Organizadores de Brasil x Argentina estão em prisão domiciliar

Jamil Chade e Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2015 | 07h00

Uma das empresas indiciadas nos EUA por pagar subornos milionários ao ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e outros cartolas da CBF negocia a realização de um amistoso do Brasil no dia 5 de setembro em São Francisco contra a Argentina. 

A partida faz parte da série dos Super Clássicos, uma iniciativa ainda da gestão de Marin e Del Nero e que envolvia a empresa Full Play. Mas seu dono e o vice-presidente - Hugo Jinkins e seu filho Mariano - estão em prisão domiciliar na Argentina, aguardando o processo de extradição para os EUA. Quem também organizava o Super Clássico era a Klefer, empresa de Kleber Leite e que ontem também teve seus bens congelados pela Justiça no Rio.

Ainda assim, a CBF indicou que a partida vai ser disputada. “A CBF, até a presente data, não foi informada pelos organizadores de nenhuma alteração para o jogo entre Brasil x Argentina”, declarou a direção de Comunicação da CBF, na última terça. 

Consultado pelo Estado, o advogado Francisco Castex, um dos defensores de Hugo e Mariano, disse que a empresa continua funcionando. A dupla de empresários está com parte dos bens bloqueados, mas continua no comando da companhia, assinando contratos desde suas casas. “Isso é legal”, disse Castex.

Hugo e Mariano ainda foram acusados pelo FBI de ter criado a Datisa, empresa que serviria para pagar propinas relacionadas à Copa América, inclusive para Marin e um outro dirigente da CBF ainda não identificado. Os executivos abriram uma conta em Zurique, no banco Hapoalim e em nome de uma empresa de fachada no Panamá. Dessa conta é que a propina era supostamente distribuída. 

Se a CBF garante que o jogo vai ser realizado, fontes da Associação de Futebol Argentino (AFA) revelaram ao Estado que querem se afastar da Fullplay e não querem a partida. 

Oficialmente, a entidade informou ao Estado que o único amistoso da seleção argentina fechado para 2015 será contra o México dia 8 de setembro, no Texas. Por meio da assessoria, a organização disse que há outra data Fifa aberta perto da partida contra os mexicanos para a qual se está buscando adversário. Ou seja, oficialmente a Argentina nega que exista o jogo contra o Brasil. Mas um advogado ligado aos donos da empresa, que acompanha as negociações envolvendo as partidas internacionais, surpreendeu-se ao saber que o jogo entre Brasil e Argentina não estava confirmado pela AFA. “Esse amistoso vai sair, até onde sei”, afirmou, com ar preocupado. 

Quando o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, retornou às pressas de Zurique, no final de maio, ele garantiu em uma coletiva de imprensa que revisaria os contratos da entidade, depois da prisão de Marin. “Temos que analisar todos os contratos. Não podemos dizer que são ruins, péssimos para a CBF, porque as coisas andaram bem até agora. À medida que haja suspeita, temos que reavaliar. É isso que está sendo feito”, garantiu Del Nero.

Já parceiros comerciais também suspenderam acordos para o jogo do dia 5, diante do indiciamento. O Estado apurou com pessoas próximas à CBF que uma carta de intenções foi enviada pela Full Play à empresa americana Relevant Sports. 

A empresa confirmou que havia sido contactada para negociar o jogo. Mas garante que “não assinou uma carta de intenções” e que, desde o indiciamento da Full Play, o processo foi interrompido. “Tivemos discussões. Mas elas foram interrompidas quando ouvimos falar dos indiciamentos”, explicou Ben Spencer, diretor de comunicações da Relevant.

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