João Godinho/Estadão
João Godinho/Estadão

CBF pede que Real Garcilaso seja excluído da Copa Libertadores

Entidade quer punição pelo episódio de racismo protagonizado pela torcida peruana

Almir Leite, Agência Estado

14 de fevereiro de 2014 | 21h25

SÃO PAULO - A CBF pediu nesta sexta-feira à Conmebol a exclusão do Real Garcilaso da Copa Libertadores como punição pela atitude racista da torcida do time peruano contra o meio-campista Tinga. O pedido, assinado pelo presidente José Maria Marin, foi encaminhado ao presidente da entidade sul-americana, o uruguaio Eugenio Figueredo. Tinga, do Cruzeiro, foi ofendido com gestos e sons imitando macacos durante o jogo da última quarta em Huancayo e que o Real Garcilaso venceu por 2 a 1.

No ofício da CBF, palavras como exclusão ou eliminação não aparecem. Mas é essa a principal intenção. A entidade anexou ao documento a denúncia feita pelo Cruzeiro, que pede à Conmebol punição com base no artigo 12 de seu Regulamento Disciplinar - prevê desde a retirada dos três pontos ganhos pelo Real Garcilaso até a exclusão, passando por perda de mandos ou determinação de jogar com portões fechados.

A CBF conclama a Conmebol a "sancionar energicamente os responsáveis pelo lamentável evento, de modo a servir de exemplo que evite a reprodução de tais atos, rigorosamente punidos pelos regulamentos da Fifa".

Para a entidade brasileira, apenas sanções rigorosas evitarão a repetição de tais atos. "A punição de penas severas dará relevo à atuação da Conmebol como pioneira nessa iniciativa, certamente com reflexos mundiais", sustentou a CBF no ofício.

No entanto, como avalia que a eliminação pode ser encarada pelo Tribunal Disciplinar da Conmebol como "rigorosa demais", a CBF também ficará satisfeita se o Real Garcilaso for punido com a perda dos três pontos ganhos na última quarta.

INVESTIGAÇÃO

Nesta sexta, a Conmebol abriu uma investigação preliminar sobre o episódio. O processo não foi ainda para o Tribunal Disciplinar porque o árbitro venezuelano Jorge Argote simplesmente nada mencionou sobre os atos racistas na súmula. Segundo Caio César Rocha, presidente do tribunal, isso vai atrasar o processo. "O caso não seguiu direto para o tribunal por não haver nada relatado na súmula", disse Rocha. Ele não participará do julgamento por ser brasileiro.

Com a omissão, a investigação vai ser baseada em vídeos - e talvez no relatório do delegado, que não havia chegado à Conmebol até o início da tarde desta sexta, fato que também contribuiu para a decisão de se fazer investigação preliminar - e deverá ter prazo de uma semana. Depois, pode levar até 10 dias para o Tribunal julgar em primeira instância.

Como depois desse primeiro julgamento há possibilidade de recurso à Comissão de Apelações, um novo prazo de até 10 dias deverá ser estabelecido para uma sentença definitiva. Ou seja, o caso só deverá estar totalmente resolvido em março.

Caio César diz que o árbitro pode ser chamado para depor nas investigações, mas descarta punição pelo fato de ele ter ignorado os ataques contra Tinga em seu relatório. "Ele não é avaliado pelo trabalho disciplinar e sim técnico e nós somos juristas e não árbitros", disse, sobre a atuação do Tribunal Disciplinar.

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