Rafael Ribeiro|CBF
Rafael Ribeiro|CBF

Contra o Zika, CBF vai distribuir repelente para a torcida em Recife

Vírus faz entidade prometer mutirão para jogo entre Brasil x Uruguai

Daniel Batista, enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2016 | 07h00

Além do retorno de Luis Suárez à seleção uruguaia, outro assunto que toma conta do confronto entre Brasil e Uruguai, sexta-feira, na Arena Pernambuco, é a preocupação com a contaminação por dengue ou vírus zika. Para tentar minimizar o problema, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) promete distribuir 100 mil sachês de repelente aos torcedores para o jogo, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo

Estimativa feita pelo Ministério da Saúde aponta que Pernambuco foi o quinto Estado com o maior número de casos prováveis da doença no ano passado, com 34.579 registros. Neste ano, a Secretaria da Saúde de Pernambuco aponta 5.766 casos suspeitos.

O Estado nordestino é um dos epicentros do surto de zika no País, já que é campeão de notificações de casos de microcefalia, má-formação que pode ser desencadeada pelo vírus. Boletim mais recente do ministério mostra que, de 1.º de agosto de 2015 até o último dia 12 de março, 1.779 bebês nasceram com suspeita de microcefalia em Pernambuco. 

Não só os brasileiros estão preocupados. Chegou a ser cogitada a transferência da partida para outro local. Natal era uma das opções. Com o jogo confirmado para a Arena Pernambuco, a CBF e a Associação Uruguaia de Futebol (AUF) fizeram ações para tentar amenizar a situação.

A entidade máxima do futebol brasileiro firmou parceira com a empresa farmacêutica Cimed, que irá distribuir repelentes para torcedores no dia da partida. Também os jogadores terão que usar o produto constantemente, enquanto estiverem em solo pernambucano.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, manteve contato com o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry, para tratar do tema e pedir que sejam tomadas atitudes preventivas para a partida, como dar maior atenção à limpeza nos arredores da arena. 

Já a AUF divulgou um comunicado para a imprensa uruguaia onde dá recomendações para torcedores e jogadores usarem repelentes durante as 24 horas do dia, pois, além da zika, o mosquito também é transmissor da dengue, febre amarela e chikungunya. Além disso, os dirigentes uruguaios recomendaram que os torcedores contratem um seguro de assistência médica, cubram o corpo inteiro durante a hospedagem no Recife e evitem ficar em locais onde não existam telas.

A preocupação dos uruguaios é tão grande que o diretor esportivo da AUF, Eduardo Belza, visitou os centros de treinamentos de Náutico e Sport para decidir onde a seleção treinaria e optou pelo segundo local por entender que seria um lugar com menor possibilidade de ter contato com o mosquito. A seleção uruguaia treinará no Recife na quinta-feira e no sábado. 

Os jornais espanhóis Sport e Mundo Deportivo, ao comentar sobre o confronto entre Neymar e Suárez, jogadores do Barcelona, chamaram Recife de "epicentro do zika vírus".

PRIMEIRO TREINO

O técnico Dunga comandou nesta segunda-feira o primeiro treino para os jogos com Uruguai e Paraguai, mas teve apenas 12 jogadores para trabalhar na Granja Comary. Treinaram Alison, Marcelo Grohe, Filipe Luis, Miranda, Gil, Luiz Gustavo, Willian, Renato Augusto, Oscar, Lucas Lima, Douglas Costa e Ricardo Oliveira. 

A expectativa é que, na tarde desta terça-feira, o treinador já tenha todos os atletas no grupo à disposição e comece a fazer um esboço da formação para encarar os uruguaios./ COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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