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CBF, seus critérios e o calendário que pune quem monta times mais fortes

Nem as consequências da pandemia justificam tamanha aberração, apenas como a confederação maltrata seu torneio

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2020 | 05h00

O Campeonato Brasileiro completou a 20ª rodada neste fim de semana, mas dos 20 participantes, apenas nove completaram duas dezenas de jogos: Internacional, Flamengo, Fluminense, Santos, Sport, Corinthians, Atlético Goianiense, Coritiba e Red Bull Bragantino. Sete equipes chegaram a 19 pelejas, Atlético Mineiro, Palmeiras, Grêmio, Ceará, Botafogo, Bahia e Athletico.

Alcançaram 18 cotejos três clubes: Fortaleza, Vasco e Goiás. Um dos integrantes da primeira divisão fez apenas seu 17º jogo, o São Paulo. Isso mesmo, o tricolor paulista começou a segunda metade do certame com nada menos do que três partidas atrasado. E elas foram adiadas sem data até que a eliminação de outra competição, a Copa Sul-americana, refrescou o calendário tricolor. Só então a CBF os marcou.

Em 22 de novembro, um domingo, o São Paulo receberá o Vasco da Gama em seu estádio. Três dias depois, fará o primeiro dos seus jogos atrasados pelo Brasileiro. O adversário será o Ceará, em Fortaleza. Em 28 deste mês, sábado, visitará o Bahia. O compromisso valerá pela 23ª rodada. Na quinta, 3 de dezembro, vai a Goiânia para pagar o segundo jogo atrasado, contra o Goiás, que vale pela (acredite!) primeira rodada. No domingo, 6, os tricolores terão pela frente o Sport, no Morumbi e na quarta-feira, 9 , o visitante será o Botafogo, no terceiro e derradeiro compromisso adiado.

Claro que se não fosse desclassificado do torneio internacional pelo Lanús, da Argentina, como ocorreu na semana passada, o São Paulo continuaria com o calendário apertado e teria que, de alguma maneira, passar pelo sufoco enfrentado pelo Flamengo, seu próximo adversário na Copa do Brasil a partir da próxima quarta-feira. Os rubro-negros fizeram quatro jogos do Brasileiro em intervalo de oito dias de outubro.

Ao deixar o time do Morumbi "dever" tantos jogos, a CBF permitiu que usufruísse de um conforto que outros não tiveram e dificilmente terão, podendo se dedicar às partidas seguintes sem tantos sacrifícios para o elenco. Como achar normal que uma equipe termine o primeiro turno de um campeonato disputado em pontos corridos devendo cerca de 16% dos jogos que deveria ter feito até então?

Nem as consequências da pandemia no calendário do futebol brasileiro justificam tamanha aberração. É a maneira como a Confederação (mal)trata o campeonato que ela mesmo organiza. Para completar, mutila times mantendo jogos em meio aos períodos de Data Fifa, como na semana que começa. Seleções convocam jogadores e os clubes entram em campo desfigurados em alguns casos.

Na gestão cebeefiana é assim, quem investe para montar boas equipes de futebol é punido. Pois os jogos das equipes "nacionais" não podem parar e as eliminatórias seguem com o formato paquidérmico de todos contra todos e 18 intermináveis rodadas para classificar até 50% dos participantes dessa modorrenta competição.

Incrível que os clubes sul-americanos não tenham sequer feito um movimento mínimo no sentido de cobrar da entidade continental, a Conmebol, um formato mais adequado ao momento que o mundo enfrenta. Dois grupos de cinco times com os dois primeiros de cada classificados para a Copa do Mundo de 2022 e os dois terceiros se enfrentando pela chance de brigar por uma vaga derradeira na repescagem.

Não, isso não seria difícil, mas as federações e confederações perderiam a chance de realizar mais jogos, vender direitos de transmissão, exibir patrocinadores... Afinal, o futebol não é feito para os clubes, mas para elas. E o calendário da CBF não trata a todos da mesma forma.

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