CBF só livra 6 jogadores do desastre

Diego foi um dos jogadores mais abatidos a deixar nesta segunda-feira o hotel em Viña del Mar, no Chile. Não vai ser nada fácil o garoto de 18 anos reerguer a cabeça: as primeiras avaliações da CBF comprometem o seu futuro na seleção brasileira. O comportamento de Diego no Pré-Olímpico, dentro e fora do campo, não agradou a ninguém na CBF. Ele não deve aparecer nem nas próximas convocações de Carlos Alberto Parreira para os jogos das Eliminatórias. Saiu como o grande perdedor do Pré-Olímpico. "Acho que vai demorar um pouco para o Diego voltar a jogar pela seleção", comentou, nesta segunda-feira, um graduado funcionário da CBF, que acompanhou os garotos no Chile.Contra o meia do Santos pesa o ambiente ruim que criou entre os jogadores nos momentos mais críticos da seleção no Pré-Olímpico. O mais grave aconteceu no intervalo do jogo contra a Argentina. Dudu Cearense, um dos caçulas do grupo, foi tirar satisfações com Diego, acusado de prender muito a bola e de querer resolver tudo sozinho. Dudu pediu para Diego soltar mais bola, fazer o jogo coletivo. Diego não gostou da cobrança. Partiu para cima de Dudu. Houve um bate-boca e tentativas de agressão. A confusão foi geral. Alguns jogadores mais equilibrados conseguiram evitar a briga. Mas o time subiu dos vestiários para o segundo tempo ainda com muita discussão. A Argentina aproveitou o descontrole emocional dos brasileiros e venceu o jogo.Branco, coordenador das divisões de base da CBF e chefe da delegação no Chile, ficou perplexo com o que viu. Cobrou "espírito de seleção", um recado direto a Diego. No relatório que enviará a Ricardo Teixeira, presidente da CBF, vai inocentar apenas seis jogadores pelo desastre no Pré-Olímpico: Gomes, Edu Dracena, Alex, Fábio Rochemback, Dudu Cearense e Daniel Carvalho. "Poucos jogaram com o ?espírito de seleção?, de grupo. Poucos mostraram bom comportamento, digno de jogador de seleção", disse Branco.Diego também decepcionou fora de campo. Antes dos jogos dizia que iria decidir, que era hora de mostrar quem tem talento. Isso incomodou os companheiros de time. Nas partidas, ele não correspondeu. Mostrou um fraco futebol e descontrole emocional, sendo advertido com quatro cartões amarelos. "O Diego ganhou um título na vida e já está cheio de pose. Vai ter de aprender muita coisa", insistiu o funcionário da CBF.Nabi Abi Chedid, vice-presidente da CBF, que acompanhou no Chile a fase final do Pré-Olímpico, também puxou a orelha do meia, que no domingo levou um cartão amarelo por reclamação no primeiro tempo do jogo contra o Paraguai. "O Diego ficou pendurado e passou a evitar os choques com medo de ser expulso." O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, esperava muito do garoto e ficou frustrado com o que viu.

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2004 | 23h07

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