Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

CBF usa Olimpíada para cobrir rombo da Copa em Manaus e Brasília

Evento será o maior já realizado numa Olimpíada, em sete estádios

JAMIL CHADE - CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O ESTADO DE S. PAULO

16 Março 2015 | 16h36

A CBF pressiona, a Fifa cede e os Jogos Olímpicos de 2016 serão usados para tentar cobrir o rombo de estádios feitos para a Copa do Mundo e que não conseguem arcar nem mesmo com os custos de manutenção. Nesta segunda-feira, em Zurique, a Fifa deu o sinal verde para espalhar o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos por sete estádios brasileiros, incluindo até mesmo Manaus e contrariando planos originais do COI.

Fontes na Fifa confirmaram ao Estado que a decisão foi tomada depois de uma pressão da CBF para demonstrar que os estádios erguidos para a Copa do Mundo, e alvo de muita polêmica, foram bons investimentos. Além da capital do Amazonas os jogos ocorrerão em São Paulo, Brasília, Salvador, Belo Horizonte e em dois estádios diferentes no Rio de Janeiro: Engenhão e Maracanã.

Se por meses o Comitê Rio 2016, CBF e a Fifa negociaram um acordo, nos bastidores o interesse da entidade brasileira foi sempre a de mostrar que o dinheiro público gasto nos estádios valeu a pena. O comitê olímpico da Fifa é presidido por Marco Polo Del Nero, que assume a CBF no próximo mês.

A Fifa, em fevereiro, havia alertado que não gostaria de ver Manaus no programa, já que envolveria longos deslocamentos e ainda enfrentar uma diferença de temperatura. O COI também era contra.

Além da distância, a cidade está em outro fuso horário, o que poderia complicar a transmissão dos eventos ou mesmo no estabelecimento do calendário.

Mas a CBF bateu o pé e exigiu a inclusão da cidade, inclusive numa promessa feitas às autoridades locais.

Em Manaus, os times amazonenses tem evitado usar o estádio diante dos custos para os jogos do estadual. A Arena que custou R$ 670 milhões precisa de R$ 700 mil por mês em manutenção. Mas, entre o final da Copa e fevereiro deste ano, o estádio recebeu apenas sete partidas e o prejuízo supera a marca de R$ 2 milhões.

Uma atenção especial também será dada à Brasília, onde a falta de jogos no estádio Mané Garrincha levou o governo do DF a levar parte de sua burocracia para ocupar o local. Hoje, seu buraco é de mais de R$ 5 milhões.

Del Nero tentou justificar o uso de sete estádios. "Os torneios de futebol olímpico serão uma oportunidade fantástica de reviver o excelente clima visto durante a Copa, não somente no Rio de Janeiro, mas em outras cinco cidades", disse. "Eles fizeram um trabalho ótimo e agora podem usar os estádios da Copa e a infra-estrutura já montada para unir o país para um grande evento mais uma vez", declarou.O resultado será o torneio que mais usará estádios na história dos Jogos, desde 1964. Naquele ano, porém, oito estádios foram usados, quase todos em Tóquio. Desde 1992, quando os Jogos Olímpicos passaram a ter uma dimensão de mega-evento, o número de estádios não passou de cinco ou seis.

ARENA

Com a escolha de Manaus, São Paulo acabou ficando com apenas uma sede e, também na lógica de usar as instalações da Copa, a opção final foi pela Arena Corinthians. Del Nero era um dos que chegou a defender a ideia de incluir a nova arena do Palmeiras.  Sem saber o que ocorreria com o Engenhão, ele chegou a temer a falta de estádios para receber 58 jogos de futebol em pouco mais de duas semanas de eventos.

A opção foi ajudar os estádios da Copa a cobrir rombos também obrigou os organizadores dos Jogos do Rio a romper um acordo com o Morumbi.

Em 2009, o Comitê Rio-2016 (Co-Rio) fechou um acordo com o Morumbi para que fosse a sede do futebol em São Paulo. No ano passado, o Co-Rio chegou a indicar que, de alguma forma, pretendia respeitar o acordo com o São Paulo, que ficou fora da Copa do Mundo. Mas, na lista final, o estádio ficou de fora.

No Rio de Janeiro, o acordo foi o de manter o uso do Maracanã. Mas o Engenhão servirá apenas para jogos da primeira fase do torneio de futebol das Olimpíadas.

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