FABRICE COFFRINI|AFP
FABRICE COFFRINI|AFP

Confederação Brasileira de Futebol vai ter de mostrar suas contas uma vez por ano

Fifa aprovou resolução que obriga federações nacionais a tornar públicos seus números e realizar auditorias independentes

O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2016 | 07h00

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as federações nacionais vão ser obrigadas a tornar públicas todas as auditorias realizadas sobre suas contas e, uma vez por ano, convocar uma auditoria independente para examiná-las. Nesta quarta-feira, a FIFA aprovou as novas regras que estipulam um maior controle não apenas para seus números, mas também os das entidades nacionais. A federação que não cumprir pode ser punida ou até excluída de competições. A CBF, porém, terá até 2018 para se adequar.

As novas regras dependem de uma aprovação completa das reformas da entidade, amanhã, para que entrem em vigor. A Fifa também vai exigir “ficha limpa” de qualquer dirigente que assuma algum cargo na entidade máxima do futebol.

Segundo fontes da Fifa, a proposta é de que as federações nacionais adotem as regras até 2018, sob a ameaça de serem suspensas. Hoje, 81% das 209 federações nacionais não apresentam seus registros financeiros ao público – 85% não publicam seus balanços financeiros. Além disso, 21% delas nem contam com websites.

Apenas 14 associações publicam informações suficientes sobre como gastam dinheiro, entre elas Canadá, Dinamarca, Inglaterra, Itália e Suécia. O Brasil não faz parte da lista.

Na CBF, porém, a cúpula garante que as auditorias não serão um problema, já que a auditoria Ernst & Young está analisando as contas da entidade. A Fifa deseja que os resultados se tornem públicos.

O controle ainda vale para o dinheiro enviado pela Fifa às federações nacionais para projetos de desenvolvimento, alvo de escândalos de corrupção nos últimos meses. O Estado obteve cópias dos formulários que terão de ser devolvidos até dia 31 de março pelas entidades locais. A exigência também pede uma “carta independente assinada por auditor, os extratos das contas bancárias e quanto foi recebido e gasto no período”.

Eleição. Enquanto a reforma é tratada como prioridade, os principais hotéis de Zurique ontem foram tomados por lobistas e candidatos em busca de um último apoio nas eleições vão definir, amanhã, o novo presidente da Fifa. Gianni Infantino e Salman Al Khalid são os favoritos. Mas os europeus dão sinais de perder força, diante das propostas financeiras do representante do Oriente Médio para o futuro da Fifa.

Ontem, a entidade confirmou que terá um rombo de mais de US$ 103 milhões em suas contas no ano. Mas também indicou que, dependendo de quem for o presidente, uma empresa asiática colocará US$ 800 milhões na Fifa.

O novo patrocinador seria trazido por Salman, numa demonstração da força financeira de sua candidatura.

Quem sai derrotado é o ex-presidente Joseph Blatter. Afastado da entidade por oito anos, tentou um recurso para suspender a pena e poder participar da eleição para se despedir do futebol de forma digna. A entidade reduziu a pena para seis anos, por conta de sua “contribuição para a história do futebol” , mas ele não poderá participar do encontro.

Blatter e Michel Platini são suspeitos por causa de uma transferência de US$ 2 milhões do suíço para o francês, em 2011. A decisão apontou que Blatter pôs seus interesses pessoais acima dos da Fifa. Blatter e Platini, também suspenso por seis anos, podem recorrer ao Tribunal Arbitral dos Esportes.

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