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CBF volta a ser alvo de suspeitas em relação à Copa no Catar

Revista 'France Football' aponta que pagamentos paralelos podem ter ocorrido em jogo entre Brasil e Argentina, em novembro de 2010

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2014 | 07h32

A CBF volta a ser alvo de suspeitas em relação à escolha do Catar como sede da Copa de 2022. Em sua edição desta terça-feira, a revista France Football aponta para o fato de que pagamentos paralelos podem ter ocorrido durante o jogo entre Brasil e Argentina, em novembro de 2010, em Doha, dias antes da votação na Fifa que definiu o Catar como destino do Mundial. 

Segundo a revista, que traz uma reportagem de capa com uma das testemunhas do Catar repetindo uma vez mais que presenciou subornos sendo negociados, duas contabilidades diferentes teriam ocorrido naquele amistoso. 

A Fifa, em sua investigação publicada no mês passado, garante que não houve nada de errado naquela partida. Mas a publicação alerta que a entidade não encontrou nada simplesmente porque houve uma manobra para poder camuflar os pagamentos. 

De um lado, o cachê normal para a CBF e para os argentinos foi pago, com notas fiscais e comprovantes. 

Mas o mesmo jogo rendeu outros pagamentos que jamais apareceriam nas contas oficiais das federações, de cerca de US$ 3 milhões (R$ 7,8 milhões).

A revista também confirma a informação revelada com exclusividade pelo Estado no fim de novembro que apontou que a CBF e a seleção brasileira foram financiadas pelas empresas responsáveis por construir a infraestrutura da Copa de 2022 no Catar e consideradas como um braço do emir do país do Golfo.

O Estado apurou com exclusividade que a empresa que pagou o amistoso entre Brasil e Argentina em 2010 em Doha foi a Ghanim Bin Saad Al Saad & Sons Group Holdings (GSSG), que hoje é a responsável por obras da Copa, inclusive por construir a cidade que vai sediar a final do Mundial.

A empresa é presidida por Ghanim Bin Saad, que também acumula a gerência de uma estatal do setor imobiliário que está erguendo algumas das principais obras da Copa do Mundo - a Qatari Diar Real Estate Investment & Co.

Quem também participou da operação foi uma empresa com sede em Zurique, a Swiss Mideast Finance Group, que ajudou a financiar a partida com seus parceiros ocidentais. A companhia é a mesma que presta consultoria para a Qatari Diar, construtora das obras da Copa do Mundo.

Entre as obras da empresa de Ghanim Bin Saad na Copa está a pérola do projeto: a construção da cidade de Lusail, que vai sediar a final em um estádio de 80 mil lugares. Projetada para acolher 450 mil habitantes, a cidade vai custar US$ 45 bilhões (R$ 117 bilhões) e deve estar pronta em 2020. O financiamento para a realização das obras é destinado pelo governo.

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