Ricardo Duarte/Inter
Ricardo Duarte/Inter

Ceará pede investigação de suposto racismo contra atacante em jogo com o Inter

Atacante Elton diz que argentino Cuesta o chamou mais de uma vez de 'macaco'

Lauriberto Braga, especial para a AE, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2017 | 17h42

O Ceará vai pedir abertura de investigação sobre crime de injúria racial contra o zagueiro argentino Victor Cuesta, do Internacional. O clube solicitará a investigação junto à Polícia Civil com base no depoimento do atacante do Ceará, Elton, que disse que Cuesta o chamou mais de uma vez de "macaco" na vitória do time gaúcho sobre o Ceará por 2 a 0, na terça, na Arena Castelão, pela Série B do Campeonato Brasileiro.

"Tivemos uma reunião com o nosso atleta. Ouvimos todo o relato dele. Entraremos também com uma representação em relação à arbitragem, que não mencionou na súmula da partida o fato ocorrido. Colhemos elementos para poder inaugurar essa investigação criminal. O fato é que o Ceará jamais compactuaria com algo tão grotesco. É inimaginável que, nos dias de hoje, isso ainda aconteça. A ofensa à honra e à dignidade é gravíssima. Não podemos tolerar isso", disse o diretor jurídico do Ceará, o advogado Ernando Uchôa.

No Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia de Roubos e Furtos, Elton Rodrigues Brandão denuncia que Victor Cuesta o chamou de "macaco" repetidas vezes. O declarante disse que "a cena preconceituosa foi presenciada por vários jogadores que se encontravam no entorno do local da ofensa, inclusive alguns atletas ao perceberem a situação grave trataram de separar o declarante de seu ofensor".

No Boletim, Elton declara ainda que outro jogador do Ceará sofreu preconceito racial pelo zagueiro Cuesta. "Que teve conhecimento que seu colega de equipe, apelidado de Cafu, informou após o jogo que havia sido ofendido pelo mesmo Victor Cuesta, durante a partida, por duas vezes com as palavras 'preto de merda'".

No final da queixa, Elton destaca que "a situação trata-se de clara injúria racial e o declarante deseja que o fato criminoso seja investigado e seu ofensor condenado nos termos da lei".

Cuesta nega que tenha sido racista contra os jogadores do Ceará, através do vice-presidente de futebol do Internacional, Roberto Melo. "A gente conversou com o Cuesta e ele disse que não falou nada neste sentido. Os dois discutiram. O Cuesta tem uma carreira longa e nunca teve alguma questão envolvendo esse tipo de coisa. O que o nosso jogador nos passou é que não falou. Eles discutiram. Mas, o termo que está sendo colocado, ele disse que não usou", afirmou Roberto Melo.

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