Celso Roth: dias contados no Palmeiras

A crise está instaurada no Palmeiras. A diretoria até que tentou abafar, proibindo os jogadores de falarem publicamente sobre os problemas internos do grupo. Entretanto, ela mesma deu indícios de que a permanência do técnico Celso Roth pode estar próxima do fim. Em um recado direto para o treinador, o diretor de Futebol, Sebastião Lapola, foi explícito. "Muitas vezes o treinador entrega o cargo. Espero que isso não aconteça. Celso sabe qual é o seu momento. Se perceber que é a hora, vai se demitir."Roth mostrou-se contrariado com sua situação. "Estou temendo, assim como o Joel Santana (Vasco) e o Paulo César Carpegiani (Cruzeiro), que também não foram bem. Futebol não é assim, é seqüência. Não tenho nem cinco meses aqui."Chute - A gota d?água para a turbulência foi o empate de sábado diante do River Plate, por 2 a 2, pela Copa Mercosul, após a equipe paulista estar vencendo por 2 a 0. A torcida que compareceu ao Palestra Itália não se conteve. Ofendeu tanto Roth quanto o presidente do clube, Mustafá Contursi, que sofre pressões dos conselheiros para demitir o treinador. "Existe este tipo de cobrança, mas não tomaremos esta iniciativa", garantiu Lapola.A revolta dos conselheiros veio à tona quando, no meio da partida com o River, Roth chutou um agasalho do clube que estava no banco, depois de uma jogada de Juninho. A atitude indignou o conselheiro João Gaviolli, que chegou ao vestiário muito nervoso para tirar satisfações com o treinador. "Na hora me irritei com o lance, mas nem sabia que era um agasalho do Palmeiras. Chutaria o que estivesse na minha frente", explicou Roth. Lapola também conversou com o técnico sobre o episódio. "Ele já se retratou e pediu desculpas aos conselheiros, à torcida e ao presidente."DESAFIO - As declarações do goleiro Marcos e do zagueiro Alexandre depois do jogo também esquentaram o clima no Palestra Itália. Eles revoltaram-se com os companheiros, reclamando da falta de empenho. Hoje, diretoria e comissão técnica reuniram-se com os jogadores e proibiram qualquer declaração comprometedora. "Se o jogador não obedecer, estará sujeito a multa", desafiou Lapola.O desabafo de Marcos caiu como uma bomba entre alguns atletas. O meia Lopes, por exemplo, ficou chateado com o colega. "Não é o que esperávamos de um companheiro de trabalho. Falo por mim mesmo e tenho consciência de que estou no Palmeiras para vencer."Marcos, por sua vez, não voltou atrás em suas palavras, apesar de garantir que não se referiu a ninguém especificamente. "Falei do conjunto. Futebol profissional é isso mesmo, não há espaço para jogador vagabundo", emendou. Na opinião do goleiro, suas afirmações podem dar uma chacoalhada no grupo. "Ninguém vai querer vestir a carapuça."Nesta quarta-feira, às 20h30, o Palmeiras enfrenta o Guarani, em Campinas, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. O lateral-esquerdo Misso, contundido, não jogará.

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