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Cenário político na Ucrânia pode resultar em rescisão de jogadores brasileiros na Fifa

Especialistas afirmam que, diante da instabilidade política e social vivida pela Ucrânia, atletas podem seguir carreira longe do país

Murillo César Alves, especial para o Estadão

24 de fevereiro de 2022 | 15h00

Diante da invasão do território ucraniano pelo exército russo, a incerteza diante do futuro dos atletas que atuam no futebol do país dominou os noticiários. Jogadores brasileiros foram às redes sociais nesta manhã de quinta-feira, 24, pedir ajuda ao governo para conseguirem deixar o país do Leste Europeu, em segurança.

Seguindo o decreto da Lei Marcial, instaurado pela Ucrânia, a liga ucraniana de futebol foi suspensa por tempo indeterminado. O torneio retomaria as atividades nesta sexta-feira, após o fim das férias do inverno europeu para a segunda parte da temporada 2021-22.

O receio de uma intensificação dos conflitos armados no país pode levar aos jogadores e à Fifa tomarem medidas extraordinárias. Segundo advogados e especialistas no direito internacional e esportivo, o cenário político terá impactos diretos sobre o esporte e abrirá margens para que essas decisões excepcionais sejam adotadas, para a segurança dos atletas e seus familiares.

"Uma guerra, seja ela aonde for, deixa uma série de consequências em todos os níveis e no futebol não seria diferente, já que haverá uma paralização das competições. O eventual prolongamento da guerra fatalmente gerará uma situação de insegurança para os residentes no país e poderia levar os jogadores estrangeiros a tentarem uma rescisão contratual com os clubes ucranianos perante o órgão competente da Fifa, numa disputa que seria bastante complexa e de difícil solução", pontuou Eduardo Carlezzo, advogado especializado em direito esportivo.

A possível rescisão contratual desses jogadores, em especial os brasileiros, não será novidade. Nos últimos dois anos, por conta de restrições sanitárias provocadas pela pandemia da covid-19, Roger Guedes e Renato Augusto conseguiram a liberação de seus clubes. Nesse caso da Ucrânia, clubes como Shaktar Donetsk e Dínamo de Kiev, que contam com um grande número de estrangeiros em seus elencos, podem sofrer com essa "fuga" dos atletas, caso haja a continuidade dos conflitos armados no país.

Além da segurança, os problemas financeiros, como a falta de salários, podem se tornar fatores para uma debandada desses brasileiros."O clima entre os brasileiros que atuam na Ucrânia é de extrema tensão e insegurança. Se a guerra se prolongar, não há dúvidas de que os jogadores buscarão a suspensão dos contratos, e talvez até uma rescisão", ressaltou Luiz Henrique Martins, advogado especialista em negócios no esporte.

"Existe uma incerteza muito grande sob vários aspectos; o primeiro é o geopolítico: não se sabe quais consequências territoriais vão advir desse conflito e, portanto, até para definição de qual clube vai disputar qual competição.Vão haver consequências também sob os negócios que são praticados por esses clubes. Existem compromissos financeiros que estavam sendo arcados por essas agremiações devido a esse conflito, que certamente vão ficar prejudicados e precisarão ser renegociados", analisou Alex Santiago, Advogado, professor de Direito Desportivo e vice-presidente de futebol do Fortaleza.

Ainda com relações contratuais na Ucrânia, os jogadores brasileiros serão, nesse primeiro momento, evacuados da Europa. "Nós vamos evacuar os brasileiros. Jogadores de futebol. Todo mundo", afirmou Norton Rapesta, embaixador do Brasil em Kiev.

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