Rubens Chiri/São Paulo
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Ceni chega para ajeitar o elenco do São Paulo e abrir os portões do CT para quem não quiser ficar

Grupo abandonou Hérnan Crespo na cara da diretoria, que não teve paciência para segurar o argentino que dava ar de modernidade ao clube; ex-goleiro fazia muita sombra ao técnico demitido

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2021 | 18h39

Se a demissão de Hernán Crespo partiu do São Paulo, como se imagina, ela recoloca o clube mais uma vez no fim da fila em organização e profissionalismo. Tirar o treinador do comando faltando dois meses para o fim da temporada me parece uma decisão precipitada e igual a tantas outras tomadas ao longo dos últimos anos no Morumbi, diga-se, que sempre fizeram com que o futebol do clube andasse para trás e entrasse em uma fila de conquistas e longe de seus principais concorrentes.

Há uma dívida de US$ 750 mil em caso de rompimento unilateralde contrato, mas pelo que os dois lados informaram, houve uma saída consensual, de comum acordo, para que ambos possam seguir no futebol sem sobressaltos. Crespo interessa ao Racing. Ao São Paulo, resta Rogério Ceni assinar a papelada. Ceni fazia sombra a Crespo desde que deixou o Flamengo. A oferta foi aceita. Comneça a trabalha imediatamente, pelo menos assim deseja o clube.

Trocar de comando, no entanto, não fará o time correr mais. Se isso acontecer, ficará caracterizado que o elenco derrubou Crespo. O argentino dava um ar de modernidade ao São Paulo. Suas ideias, segundo me disse o próprio Muricy Ramalho, eram as melhores e que mais combinavam com o clube quando ele entrevistou todos os candidatos ao posto no começo da temporada. De repente, Crespo não servia mais. Jogadores continuam derrubando treinador e isso é inaceitável. Não num futebol comandado por Julio Casares e Muricy Ramalho. Quem faz uma vez, faz outras.

Isso é um retrocesso. O elenco são-paulino parou de jogar. Crespo não conseguia mais fazer esse grupo correr de forma competitiva. Não havia jogadas de campo e se elas eram ensaiadas, os atletas não mostravam isso. Crespo foi polido até o fim, sem gritar, sem sair atirando, tentando fazer o seu trabalho de treinador em formação ainda. Ceni, assinando a papelada, terá outra postura. Ceni é linha dura, conhece a casa como nenhum outro. Terá também em Muricy um grande amigo e parceiro. Mas isso não quer dizer que o trabalho vai dar certo. Ser ídolo e ser treinador são coisas completamente diferentes. Ele teve seus meses no começo de carreira e não deu certo.

Mas Ceni fez um ótimo trabalho no Fortaleza, embora tenha fracassado no Cruzeiro e foi 'queimado' no Flamengo. Pessoas de dentro do clube do Rio não queriam o treinador por lá. E na primeira oportunidade, ele foi trocado, demitido, mandado embora.

Apesar de tudo isso, dirigentes do São Paulo precisam enquadrar esse elenco. É inaceitável que agentes e empresários forcem a escalação de seus clientes, como aconteceu nesta semana envolvendo Benítez. Fizeram isso porque o treinador era o Crespo. Se fosse Ceni, isso jamais aconteceria, como não vai acontecer.

Ceni chega para arrumar a casa, mudar o elenco, afastar quem não está mais a fim, sem qualquer compromisso com um ou com outro. O tempo que ficou fora rompeu essa relação do ex-jogador com o elenco. Muricy será seu parceiro. Não tenho dúvidas de que pode dar certo. E dará por um  tempo. Desde que o elenco não trabalhe contra, não pare de jogar e não abandone seu comandante, como fizeram com Crespo.

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