Ceni já mostra certo medo de tomar gols de seus discípulos

Com apenas um gol na temporada, goleiro do São Paulo vê rivais Tiago e Bruno brilharem no Rio de Janeiro

Marcius Azevedo, Jornal da Tarde

26 de abril de 2008 | 18h36

Maior goleiro-artilheiro da história do futebol mundial, com 79 gols, Rogério Ceni já não reina absoluto nessa categoria no Brasil: os discípulos do são-paulino pipocam nos campos do País, mesmo que ainda timidamente. O último a ‘surgir’ foi o flamenguista Bruno. O goleiro fez seu primeiro gol na carreira na partida contra o Coronel Bolognesi, na última quarta-feira, num Maracanã lotado. Era jogo de Libertadores. Antes dele, Tiago também marcou. Antes pela Portuguesa e agora pelo Vasco, o goleiro soma 15 gols, média que pode fazê-lo superar Ceni. "Acompanhava o Chilavert também, mas ele batia mais com força. Eu bato faltas mais colocadas, como o Rogério", disse o vascaíno, citando o paraguaio que fez 62 gols e só foi superado por Ceni em agosto de 2006. O são-paulino, que de carrasco pode virar vítima em breve, já demonstra alguma preocupação. "Achei bacana, muito legal ver outros goleiros fazendo gols como eu. Mas o feitiço pode virar contra o feiticeiro", brinca. Nesta temporada, o goleiro do São Paulo deve enfrentar Bruno e Tiago duas vezes pelo Campeonato Brasileiro, em jogos de ida e volta. E pode ainda cruzar o caminho do flamenguista na Libertadores. "Achei que iria me aposentar sem sofrer gols de goleiros, mas está ficando cada vez mais difícil conseguir isso", comenta Ceni. Na verdade, o são-paulino já sofreu um gol de goleiro. E justamente do rival Chilavert. Foi em 1997, em jogo contra o Vélez Sarsfield, na Argentina, pela Supercopa da Libertadores. Rogério foi batido pelo paraguaio em uma cobrança de pênalti no empate por 3 a 3. Apesar de agora estar ameaçado e atrás da barreira, o goleiro elogia e encoraja seus discípulos. "Ele [Bruno] tem capacidade e soube aproveitar isso. Se o técnico acha que vale a pena investir, ele tem mais é que treinar mesmo". Rogério também lembrou de Tiago. "Ele está muito bem". Ainda existem outros goleiros no futebol brasileiro que se arriscam no ataque. Mas não vão cruzar com o são-paulino tão cedo. Nesta lista, entram Zé Carlos, do Criciúma, e Márcio, do Atlético Goianiense. QUE FASE!Neste ano, Rogério fez apenas um gol. Mesmo assim, precisou bater o pênalti duas vezes contra o Juventus, na última rodada da fase de classificação do Estadual. O desempenho não lembra seus últimos anos nesse fundamento. Em 2007, por exemplo, foram 10 gols. Em 2006, 16. E em 2005, na temporada mais efetiva, 21. Rogério foi o artilheiro do time no ano em que o São Paulo foi campeão paulista, da Libertadores e do Mundial. A explicação, segundo ele, está nas poucas chances que surgiram. "E quando elas acontecem, não são faltas que eu vislumbre uma condição de fazer o gol". HERNANESO São Paulo começa a ser sondado sobre uma possível venda do volante Hernanes. Os contatos vêm da Europa, de três países diferentes - três potências do futebol mundial. Da Itália, o interesse é da Inter de Milão, mesmo time de Adriano. A dificuldade nesse caso é em relação à falta de passaporte comunitário do atleta. Cada clube pode contratar apenas um ‘não-europeu’ por temporada. Da Espanha, a sondagem é do Barcelona. Mas o caminho mais certo é o da Inglaterra: Chelsea, que aceita atletas sem passaporte europeu.

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