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Ceni no caminho certo

Treinador confirmou o acesso do Fortaleza à primeira divisão do Campeonato Brasileiro depois de campanha irreparável

Robson Morelli

05 Novembro 2018 | 03h00

Rogério Ceni dá passo importante para se tornar um dia um grande treinador, desses que serão disputados pelos melhores clubes do Brasil. E como alguns poucos que atravessaram o Atlântico para comandar na Europa, como fizeram, por exemplo, Vanderlei Luxemburgo (Real Madrid) e Luiz Felipe Scolari (Chelsea). Houve outros.

Na rodada do fim de semana da Série B, Ceni confirmou o acesso do Fortaleza à primeira divisão do Campeonato Brasileiro depois de campanha irreparável, com longa sustentação na liderança da competição.

Ceni redesenhou sua carreira depois de ter assinado seu primeiro contrato com o São Paulo. Mas no Morumbi, o mito fracassou. Não estava pronto, tampouco teve tempo para realizar suas ideias no comando do time. Não teve apoio do elenco, a torcida se virou contra ele e a diretoria sucumbiu diante dos resultados ruins da temporada.

O Fortaleza, em ano do seu centenário, decidiu fazer barulho e abrir suas portas ao jovem treinador, conforme anunciou o Estado em primeira mão.

Longe de casa, num clube no qual, quando muito, jogou contra, Rogério Ceni protagonizou sua até agora maior obra, o acesso ao Brasileirão. Os torcedores do Fortaleza serão eternamente gratos a Ceni, hoje, amanhã e sempre.

Dentro das possibilidades do clube, da pedreira que é a Série B, Rogério deu a volta por cima e engrossou seu currículo de treinador - função que escolheu após sua aposentadoria no gol.

O que se discute agora são os próximos passos de Ceni. Ele tentará confirmar o título da Segundona e depois deverá reavaliar seu futuro para 2019. Se quiser continuar no Fortaleza, terá carta branca para prosseguir o trabalho, agora diante de rivais que conhece bem dos tempos de jogador do São Paulo. Será reconhecido por muitos, mas também hostilizado por aqueles que ainda o enxergam com as cores da equipe do Morumbi. Um dia isso vai passar, como já passou com tantos outros jogadores que se tornaram técnicos.

Um outro caminho será agradecer ao Fortaleza, à sua gente gentil, após entender que sua missão foi cumprida e procurar novos ares, em times da primeira divisão com um pouco mais de tradição na competição. O desafio do Fortaleza agora é se sustentar na elite.

Com o que fez nesta temporada, Ceni passa a ser visto de outra forma, mesmo talvez sendo o mesmo, e ganha o respeito de muita gente. Ninguém mais pode lhe cobrar falta de experiência. O próximo passo, seja ele pra onde for, não deve ser maior do que as próprias pernas. Espero que Ceni tenha entendido algumas das amarras do futebol e continue escolhendo os melhores caminhos para sua carreira.

Brasileirão. Mesma camisa. Mesmo estádio. Mesma torcida. O primeiro tempo do Palmeiras contra o Santos era tudo o que torcedor queria diante do Boca. Não eram os mesmos jogadores, mas o time da Libertadores era melhor. Então, a única explicação para aquele jogo ruim é o emocional. O time precisa aprender a jogar as grandes partidas, as decisivas.

Libertadores. Uma vergonha a falta de comando da Conmebol no jogo entre Grêmio e River Plate, quando o treinador do time argentino, Gallardo, se valeu de um transmissor para comandar sua equipe de uma cabine da arena em Porto Alegre e desceu ao vestiário para passar instruções aos jogadores. O detalhe é que ele estava suspenso. Portanto, não poderia fazer nada daquilo. De nada adianta punir agora o técnico, como fizeram os cartolas da entidade. Vou morrer sem conhecer dirigente que não seja frouxo ou que não tenha interesse outro a não ser trabalhar pelo futebol. Da próxima vez, em outras edições, o técnico punido deveria ser impedido de entrar no estádio com seu time. Nem vem.

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