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Cerca de 500 brasileiros no Centenário

De carro, ônibus ou avião, cerca de 500 brasileiros atravessaram a fronteira para torcer pela Seleção no lendário Estádio Centenário, em Montevidéu. Mas nenhum deles tem mais história para contar do que Rubens Mandarino, um simpático senhor de 78 anos. "Seu" Mandarino se orgulha de dizer que esteve presente em 14 Copas do Mundo. Isso mesmo: 14! Ele, aliás, estava no Maracanã em 50, quando o Brasil foi derrotado na final pelo Uruguai. "Foi a coisa mais triste que já vi", diz Mandarino, que era radialista e estava no Maracanã a trabalho.Ele descreve o que sentiu no chamado ?Maracanazo?: "Foi estranho, porque, antes do jogo, eu tive um pressentimento ruim. A imprensa vinha fazendo um alarde muito grande durante a semana, e os jogadores pareciam estar de salto alto. Eu sentia que ia dar errado. O Uruguai jogou só 15 minutos, mas acabou ganhando. Foi um desastre, uma coisa inacreditável".Apaixonado por futebol, Mandarino faz questão de acompanhar a Seleção pelo mundo, principalmente em Copas. Até já comprou passagens e ingressos para o Mundial do ano que vem, na Alemanha. Ele admite, porém, que os jogos contra o Uruguai têm sempre um gostinho especial. "Fica uma sensação de vingança". O ex-radialista, que perdeu as contas de quantas vezes esteve no Centenário, aponta a vitória na semifinal da Copa de 70, no México, como o seu Brasil x Uruguai inesquecível. "Começamos perdendo e viramos para 3 a 1. Foi lindo".Para esta quarta-feira, ele esperava um jogo com pouca emoção. "Vai ser uma partida difícil. Acho que ganharemos, mas bem apertado. Arrisco uns 2 a 0", dizia.De cada jogo que acompanhou da Seleção, "seu" Mandarino procurou levar sempre uma recordação, um souvenir. Na final da Copa de 58, contra a Suécia, ele caprichou. "Entrei no vestiário depois do jogo e peguei a camisa do Garrincha. Guardo ela até hoje, como uma relíquia, que não tem preço comercial". Mandarino ri, tenta disfarçar, mas admite que o fez foi ?crime?. "Digo para todo mundo que ganhei a camisa dele, mas, na verdade, eu peguei mesmo".Mandarino foi ao Montevidéu com um grupo de 36 amigos de Santana do Livramento (onde mora), Alegrete e Uruguaiana. "Foram quatro horas de ônibus. Mas todos aqui estamos tão empolgados que até já traçamos a estratégia para assistirmos ao jogo na Argentina (em 8 de junho)", diz o ex-radialista.A maioria dos brasileiros presentes no Centenário, assim como Mandarino, era de gaúchos. Uns com a camisa do Grêmio, outros com a do Internacional. No total, eram cerca de 500 brazucas que, apesar de poucos, chegaram a fazer mais barulho do que os 60 mil uruguaios em alguns momentos. Os gritos de "pentacampeão" eram os mais freqüentes. Os uruguaios tentavam abafar, gritando "Celeste". Mas a maior provocação aos brasileiros foi com a já tradicional bandeira com a inscrição "1950", uma referência ao título conquistado no Maracanã. Medindo cerca de 20m por 15m, a bandeira foi aberta na arquibancada já antes do jogo. Os uruguaios foram ao delírio. Os brasileiros responderam contando até cinco e gritando "pentacampeão".

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