Cerezo faz história no Japão

O técnico Toninho Cerezo está fazendo história no Japão. No dia 20 de fevereiro, completou cinco anos no Kashima Antlers, uma marca respeitada no futebol mundial. O time não ganha títulos desde 2003, mas Cerezo continua firme no cargo. Agência Estado ? Você está há cinco anos no futebol japonês, na mesma equipe. É quase um recorde, não?Cerezo ? Acho que sim. Aqui não tem ninguém que tenha ficado tanto tempo numa única equipe. Acho que isso se deve ao trabalho que vem sendo realizado e que tem dado resultado, e pela mentalidade brasileira implantada pelo Zico. Todas as dificuldades que aparecem, nós procuramos superar e tudo vem dando certo. AE - Logo que você chegou no Kashima (2001), conquistou a tríplice coroa (J.League, Nabisco e Copa do Imperador). Mas depois não ganhou nada. O que ocorre?Cerezo - Era uma época diferente. Nosso time tinha mais estrelas, mas muitos estavam com mais de 30 anos e era preciso renovar. Nos dois primeiros anos, mantivemos a mesma base e ganhamos títulos. Depois disso, tivemos que reformular a equipe. Optamos pela garotada. AE - É mais difícil trabalhar com jovens jogadores?Cerezo - Já fiz um trabalho semelhante no Vitória, antes de vir para cá. Temos de pegar o jogador e lapidá-lo. Aqui tem um problema a mais para o jogador de 18 anos. Ele abandona o futebol e vai para a faculdade. Só volta com 21 anos e aí você tem de começar tudo de novo.AE - Essa renovação prejudicou o rendimento do time?Cerezo - Não foi só isso. A gente trabalha de acordo com o orçamento do patrocinador. Se o patrocinador tem um bom ano, o orçamento é maior. Caso contrário, temos de apertar o cinto. Quem tem mais dinheiro, pode investir mais nos jogadores japoneses. Além disso, os últimos brasileiros que tivemos não foram bem. O Euller e o Claudecir se machucaram. E o Fábio Júnior não rendeu o esperado.AE - Hoje são os japoneses quem fazem a diferença?Cerezo - Os artilheiros continuam sendo os brasileiros, mas os japoneses melhoraram. Acabei de perder um jogador (Koji Nakata) para o futebol francês. Eles (japoneses) são a base dos times. Quem tem mais dinheiro investe mais nos japoneses. O Antlers só contratou dois jogadores japoneses (Araiba e Go) desde que cheguei. O resto é tudo formado em casa.AE - Este ano serão 42 brasileiros na J.League. Os brasileiros continuam em alta?Cerezo - Tantos assim? Eu imaginava que seriam uns 34. A concorrência é muito grande.AE - Seu time tem chances de disputar o título?Cerezo - Perdemos o Nakata, que foi para a França. Esse ano tem Eliminatórias da Copa e nós temos três jogadores que vêm sendo convocados (Suzuki, Ogawa e Mota). Chegaram sete jovens que terão de dar conta do recado. Vamos ter dificuldades.AE - É verdade que você recebeu propostas do São Paulo. Não é hora de voltar para o Brasil?Cerezo - Essas sondagens são normais. A realidade é que eu tenho mais um ano de contrato. Sou um mineiro que corre atrás do queijo. Mas talvez seja hora de fazer uma reciclagem, de bater em outras portas.AE - Você se considera um técnico especialista em garotos?Cerezo - De uma certa forma, sim. Era assim no Vitória. Na Europa, se o jogador não serve, o clube compra outro. É diferente.

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