César Sampaio lembra: 'Joguei com o pé anestesiado'

Volante teve que driblar fortes dores no pé para estar em campo na decisão contra o Corinthians, em 1993

Ciro Campos e Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2013 | 07h03

SÃO PAULO - Responsável por organizar a marcação no meio de campo do Palmeiras, o volante César Sampaio tinha um motivo especial para mostrar vontade naquele jogo: era o primeiro título profissional que ele conquistava. O jogador, que tinha 25 anos na época, lembra da dificuldade e que quase não esteve em campo no histórico 12 de junho de 1993.

“A semana daquele jogo foi bem difícil. Como perdemos a primeira partida (por 1 a 0) e o Viola imitou um porco, saíram várias matérias dizendo que a gente “amarelava” e que o Corinthians era time de final. Até jogadores deles falavam isso. No primeiro jogo da decisão, eu levei uma pancada e teve até suspeita de lesão no ligamento. Meu pé inchou muito e eu tive de fazer tratamento das nove da manhã até as dez da noite todos os dias.

Na quinta à noite, tive uma reunião com o médico e o (Vanderlei) Luxemburgo (então técnico do Palmeiras). Eles não queriam me deixar jogar. Eu pedi para fazer infiltração, mesmo que eles não aceitassem. Joguei com o pé anestesiado e sem sentir nada. Tanto que depois do jogo a dor foi insuportável.

Me lembro como se fosse ontem. O Vanderlei não fez preleção. Ele montou um vídeo com o gol do Viola, dele imitando o porco, e de torcedores e jogadores falando que o Corinthians era time de final. Durante a semana, vimos tudo da parte técnica, mas na preleção foi só esse vídeo. No caminho para o ônibus, recebi uma carta de um torcedor com um poema, “Pegadas na Areia”. Eu li e passei para todo mundo. É um poema que fala de ser derrotado antes de lutar. 

Na boca do túnel, o Evair reuniu a gente, pediu para olharmos em seus olhos e falou que, se alguém estivesse com medo, era para torcer o tornozelo na escada e nem entrar em campo. Nunca tinha visto um time tão ligado. O Paulo Sérgio (ex-meia do Corinthians) e eu congregávamos na mesma igreja. Logo no início do jogo, teve uma bola que eu entrei um pouco mais forte, ele se assustou e falou: “Pô, irmão!” Pedi desculpas, mas estava a mil por hora. Naquela hora ele não era meu irmão, era meu primo.”

Foi um jogo em que todo mundo do nosso time conseguiu jogar bem. É difícil acontecer isso. E o Corinthians parece que sentiu isso, tanto que bateu demais, mas não adiantou. O Edmundo mesmo parecia que gostava disso. Quanto mais batiam, mais ele ia para cima dos caras. Na prorrogação, o Ezequiel (ex-volante do Corinthians) foi expulso. Com isso, o Evair gritou que ganhamos o jogo. Teve a cobrança de pênalti, e eu me lembro que sempre falava para o Evair: “Que Deus esteja contigo”. Naquele dia eu estava tão pilhado que não falei. Fiquei no meio do campo. Ele me esperou para falar, mas não deu tempo. Mesmo assim ele bateu, marcou e vimos que o título era nosso."

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