César Sampaio pode virar dirigente

Honesto até o final da sua carreira de 18 anos. Assim foi o jogador César Sampaio e assim começa o dirigente César Sampaio. Aos 36 anos, ele anunciou oficialmente o final da sua vitoriosa trajetória no futebol. E foi elegante até o fim. Preservou como pôde o técnico Leão, que o colocou no banco de reservas depois que teve quebrado o nariz no jogo contra o Palmeiras no Campeonato Brasileiro.Para evitar o confronto com Leão na temporada 2005, César Sampaio resolveu parar. Até para preservar a imagem que construiu no Palmeiras, Santos, Corinthians, São Paulo, Yokohama Flugels (Japão), Deportivo La Coruña (Espanha), Sanfrecce Hiroshima (Japão) e seleção brasileira, não quis perder credibilidade e sair perambulando atrás de emprego.Mal se despediu da carreira como jogador, César Sampaio já foi chamado nesta quinta-feira para conversar com o diretor de futebol do São Paulo, Juvenal Juvêncio. Foi convidado a comandar as divisões de base do clube, que treinam em Barueri. Honesto, recusou, por ainda não se sentir preparado. Mas o dirigente são-paulino insistiu e marcou nova conversa em fevereiro. Agência Estado - Você está parando de jogar para não brigar com o Leão, que o deixou na reserva do São Paulo?César Sampaio - Não. O Leão não teve nada a ver com isso. A reserva não me incomodou, eu não quis entrar num estágio ruim, que manchasse a minha carreira, com o meu futebol decaindo. Senti que já cumpri um ciclo importante na minha vida. Diferentemente de alguns outros jogadores, sei que minha vida continua fora dos campos.AE - A morte do Serginho pesou?César Sampaio - Minha filha ficou muito assustada com o que aconteceu com o Serginho. Eu já tinha quebrado o nariz jogando. Toda vez que saía de casa, parecia para ela que eu iria correr risco de morte. Soube que o Serginho tinha noção do seu problema e que continuou a jogar para tentar ganhar mais para a sua família. Graças a Deus, eu soube administrar o dinheiro que ganhei e não precisei esticar a minha carreira.AE - Você se identificou mais com que clube?César Sampaio - Com o Palmeiras eu tive a minha maior alegria no futebol, que foi a conquista do Paulista de 1993. Ganhei também a Libertadores. Mas todos os clubes foram importantes. O Santos me lançou. Comecei no salão do São Paulo e encerrei lá. O engraçado foi o Corinthians. Eu odiava o Corinthians pela rivalidade com o Palmeiras, mas acabei amando jogar lá.AE - Qual a maior decepção?César Sampaio - Nenhuma. Encerro a carreira de alma lavada. Só fiz amigos. Posso entrar e sair pela porta da frente em qualquer lugar. Não posso ser técnico, porque sou boa gente demais. Sou muito bonzinho. Não me imponho pela força. Sempre fui assim na minha vida.

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