Hélvio Romero/Estadão
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Mauro Cezar Pereira
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Céu ou inferno

A rodada colocou dois dos rivais palmeirenses, Grêmio e São Paulo, mais distantes

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2018 | 04h00

A sequência de vitórias do Palmeiras – quarta seguida, sétima em oito jogos – é o céu para o torcedor alviverde. O time segue firme na liderança do Campeonato Brasileiro e vê a quantidade de desafiantes se reduzir rapidamente. Líder até três rodadas atrás, o São Paulo já está distante sete longos pontos. O Grêmio, batido por 2 a 0 na tarde de ontem no Pacaembu, tinha a mesma pontuação dos palmeirenses há sete rodadas, hoje está oito atrás. 

Internacional e Flamengo continuam na perseguição ao líder. O time gaúcho afastou os são-paulinos ao vencer por 3 a 1, os rubro-negros voltaram a se animar após dois 3 a 0 consecutivos sobre Corinthians e Fluminense. Briga de três onde havia(?) cinco. Fato é que a 29.ª rodada colocou dois dos rivais palmeirenses mais distantes. Foram só três pontos nos 15 últimos disputados pela equipe de Diego Aguirre. Isso explica o rápido distanciamento tricolor em relação ao primeiro classificado da tabela. 

O Grêmio sentiu o peso da falta de elenco. Perdeu por 2 a 0 para os palmeirenses em São Paulo levando gols em falhas de dois dos quatro reservas escalados entre os cinco homens da defesa. Ficou muito mais difícil. 

Não, o Campeonato Brasileiro não é um primor técnico-tático. O segundo tento de Deyverson sobre o campeão da Libertadores confirma a tese. Chutão de Gustavo Gómez com o claro objetivo de afastar o perigo, erro primário de Bressan. Gol! 

Luiz Felipe Scolari trafegou entre os grandes técnicos internacionais, não só à frente da seleção portuguesa como quando foi contratado pelo Chelsea. Hoje percebe o quão próximo do futebol chinês está o que se pratica por aqui. 

No duelo com os gremistas, Felipão surfou na onda do elenco farto, enquanto Renato Gaúcho Portaluppi sofria pela falta de “ondas” e opções ante tantos desfalques – seis importantes. Fazer um gol e se defender bem basta. 

Assim caminhamos para a reta final de mais uma temporada de futebol brazuca que será tratada como sensacional. Sim, ela é emocionante, pela disputa acirrada de muitos times pelo título – agora aparentemente apenas três. O problema de sempre é a (falta de) qualidade que mostra um São Paulo incapaz de achar soluções ao perder Everton. Mesmo tendo Diego Aguirre cinco semanas inteiras para treinar, sem vencer nesta meia dezena de sábados e domingos. 

Falando em soluções, se o Palmeiras as acha aproveitando suas muitas ferramentas, o Corinthians precisa encontrá-las logo, mesmo sem tantos recursos. A Segunda Divisão é, sim, uma ameaça real. Maquiado pela presença do time na decisão da Copa do Brasil, o risco de rebaixamento se acentua. Ao perder para o Santos (1 a 0) sábado, no Pacaembu, o campeão nacional se viu entre os três piores times do returno, com Sport e Paraná. Não é só. Se for derrotado pelo Cruzeiro na quarta-feira, além de perder o mata-mata nacional, os corintianos chegarão a 23 derrotas, o que os igualaria ao Vitória, time da Série A que mais partidas perdeu em 2018. 

E em 2007, ano da queda inédita para a Segunda Divisão do Brasileiro, os corintianos foram derrotados justamente 23 vezes. Agora, em 2018, o time vê a turma do bloco de baixo na classificação se aproximar sorrateira e ameaçadoramente. 

Em meio a tudo isso, o São Paulo se afasta da briga pela taça, percebe que a tendência é lutar apenas por uma vaga na Copa Libertadores de 2019. Quem achou desprezível a Copa Sul-Americana deve estar arrependido. 

O céu e o inferno não estão distantes. No caso do Palmeiras, duas chances de título – em nove dias começará o duelo com o Boca Juniors – ou de decepção. O Corinthians, por sua vez, sente uma velha ameaça bem mais próxima.

 

 

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