Nelson Almeida/AFP
Nelson Almeida/AFP

Chapecoense e Nacional se encontram em final para celebrar união

Após acidente aéreo, times se tratam como irmãos e se enfrentam para definir título da Recopa Sul-Americana

O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2017 | 07h00

Chapecoense e Atlético Nacional se enfrentam nesta terça-feira na Arena Condá, às 19h15, em um encontro que vale bem mais do que o título da Recopa Sul-Americana. Os dois clubes celebram a relação de fraternidade surgida há pouco mais de quatro meses, quando o trágico acidente aéreo em Medellín, na Colômbia, uniu as duas equipes e as conduziu para o reencontro.

A competição opõe o campeão da Copa Libertadores de 2016, o Atlético Nacional, à equipe que se tornou campeã da Sul-Americana graças ao próprio clube colombiano. O time de Medellín seria o adversário da Chapecoense na decisão e pediu à Conmebol para que o adversário fosse declarado vencedor depois de o avião da delegação catarinense cair a poucos minutos de desembarcar na cidade onde jogaria a final.

A atitude de solidariedade dos colombianos também teve apoio na população de Medellín. Um dia depois do acidente, no horário em que seria realizada a final, 40 mil pessoas vestidas de branco e com velas nas mãos lotaram o estádio Atanasio Girardot para participar de uma vigília às 71 vítimas da tragédia aérea. No mesmo horário, na Arena Condá, os chapecoenses fizeram o mesmo rito.

A emoção se repetiu nesta segunda-feira, na chegada do Atlético Nacional à cidade. Os jogadores foram recebidos no aeroporto por torcedores da Chapecoense e ganharam da prefeitura uma medalha de agradecimento. Uma carreata seguiu o ônibus da delegação colombiana ao hotel e para o dia do jogo mais outras homenagens estão previstas.

O público vai se reunir a partir do começo da tarde na praça principal de Chapecó, onde será instalado um telão para transmitir a partida. Do local de encontro, os torcedores vão caminhar até o estádio. Antes do jogo, haverá um abraço coletivo do lado de fora e a cerca de uma hora do pontapé inicial, começa um show de gratidão organizado pela mesma empresa responsável pelo acendimento da tocha olímpica dos Jogos do Rio.

O principal momento do show será a apresentação da "Cápsula do Tempo", um monumento com o formato de mãos entrelaçadas e que receberá cartas de torcedores dos clubes. A cápsula será levada para o jogo de volta, na Colômbia, em maio, e depois retorna para Chapecó, onde ficará exposta na praça Medellín, que será montada pela prefeitura.

"Espero que a torcida, o povo de Chapecó e a diretoria da Chapecoense possam receber muito bem o Atlético Nacional. Que antes da partida a gente possa dar um abraço em cada um deles. Mas quando a bola rolar eu quero meu time mordendo, pegando, e se possível, ganhando esse título", afirmou o técnico da Chapecoense, Vágner Mancini, em entrevista coletiva.

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