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Chedid anuncia sucesso de movimento e indica que ficará fora de eleição da FPF

Clubes do interior de São Paulo se movimentam para retomar poderio antigo

Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2018 | 20h32

"O futebol do interior está acabando." Esta frase foi dita em sentido figurado na última quarta-feira em entrevista ao Estado pelo presidente do Bragantino, Marco Chedid, mas serve para sintetizar de alguma forma a situação difícil vivida por grande parte dos times paulistas pequenos ou de médio porte. O quadro de decadência é apontado pelo dirigente de 60 anos desde 17 de julho, quando lançou um movimento com a justificativa de que o objetivo principal do mesmo é "resgatar a hegemonia do futebol do Estado de São Paulo no cenário nacional, criando alternativas econômicas, financeiras e técnicas para sobrevivência e crescimento dos clubes".

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E nesta quinta-feira o denominado "Movimento Renovação do Futebol Paulista" anunciou, por meio de uma carta assinada por Chedid, que conseguiu ter sucesso nos últimos esforços que fez após rodar pelo interior e também vir à capital para buscar apoio de dirigentes das equipes. Ele disse ter conseguido respaldo de representantes de pelo menos 28 times, entre os quais os de Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, e uniu forças para reivindicar à Federação Paulista de Futebol (FPF) uma série de mudanças e sugestões para ajudar os clubes.

O filho de Nabi Abi Chedid, ex-vice-presidente da CBF que morreu em 2006, chegou a ser visto no mês passado como um possível candidato ou líder de uma chapa de oposição na próxima eleição à presidência da Federação Paulista de Futebol (FPF), marcada para o próximo dia 30 de agosto em edital publicado na última segunda-feira. Porém, agora o dirigente indicou, nas entrelinhas de sua manifestação oficial desta quinta-feira, que não existe mais a chance de concorrer ao cargo ocupado por Reinaldo Carneiro Bastos.

Após o movimento de Chedid apresentar inicialmente uma lista de 12 itens com reivindicações à FPF, o dirigente revelou ao Estado nesta quinta-feira que a entidade prometeu, entre outras coisas, valorizar as categorias de base dos clubes e trabalhar para criar um calendário integral para todos os times do interior que disputam a primeira divisão estadual. No caso, o dirigente se referiu ao fato de que muitas vezes os clubes menores ficam sem torneios a disputar ou quase não têm compromissos agendados para o restante da temporada após o fim de suas participações no Paulistão.

E o presidente do Bragantino informou, na carta que divulgou nesta quinta, que o movimento liderado por ele "alcançou os objetivos relevantes esperados e que o espaço para o diálogo foi aberto rapidamente para atender as necessidades dos clubes, visando a melhoria do futebol de São Paulo". E enfatizou em seguida que "tem a certeza de que a rápida mobilização gerou efeitos positivos para o aprimoramento no modelo administrativo e na discussão mais ampla sobre o nosso futebol (estadual)".

"Houve muita sensibilidade por parte dos dirigentes, mostrando que o melhor caminho neste momento, de dificuldades econômicas do país, é de fortalecimento através da união do futebol paulista", destacou Marquinho Chedid, que na última quarta-feira já havia sinalizado ao Estado que caminhava muito mais para um acordo com a atual gestão da FPF do que para um embate na eleição cujo prazo para inscrição de chapas se encerra no próximo dia 15.

"Temos apoio de mais de 28 clubes e a gente não quer um racha do futebol paulista, temos de buscar o caminho do entendimento", adiantava Chedid, negando também que se via como um possível candidato de uma chapa de oposição ou que já tivesse algum aliado em mente para ser lançado como postulante ao cargo. "Não somos inimigos da federação, não estamos em uma posição de radicalização", avisou.

 

 

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