Yves Herman/ Reuters
Yves Herman/ Reuters

Chegada do fenômeno Messi ao PSG já impacta redes sociais e cofres do clube com vendas de camisa

Em uma semana apenas e sem entrar em campo, clube parisiense faz o que pode para atender a procura do torcedor pelo uniforme número 30 do argentino

Marcos Antomil, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2021 | 10h00

Nos últimos 17 anos, o futebol “extraterrestre” praticado por Messi agregou fãs de inúmeras nacionalidades para o Barcelona, inclusive no Brasil. Agora, no PSG, a situação não é diferente envolvendo o camisa 30 do clube francês. Messi nem bem chegou a Paris, não estreou, mas já dá mostra de seu carisma e do poder de sua presença para movimentar os negócios. 

Independentemente da maneira como ocorreu a negociação de sua saída do clube catalão, onde chegou criança e saiu consagrado, o mundo acompanhou o desfecho de seu novo contrato. Onde quer que fosse, levaria consigo os holofotes. 

O PSG foi rápido e abriu os cofres para tê-lo ao lado de Neymar e Mbappé. O clube francês já colhe os primeiros frutos.

A multidão que Messi carrega consigo dá a dimensão de quanto o Campeonato Francês poderá ganhar, e mais ainda o Paris Saint-Germain. E ainda quanto o Espanhol perderá com sua saída, mais até de quando Cristiano Ronaldo deixou o Real Madrid para atuar na Juventus. Em apenas uma semana desde o anúncio da transferência de Messi para o Paris, o clube da capital francesa não para de vencer a camisa 30 do argentino, ao preço unitário de 158 euros em média. Isso equivale a R$ 970. Números inflados falam em arrecadação de 120 milhões de euros, mas eles não são confirmados pelos diretores do clube. 

No site do PSG, as camisas com o número 30 e o nome do argentino aparecem esgotadas. A versão infantil sai por 88 euros e ainda está disponível. O PSG e o fornecedor de material esportivo do clube trabalharam rápido para confeccionar as camisas, mas não houve tempo suficiente para tantas vendas. A produção continua semanalmente, assim como a procura.

Diante dos novos métodos de comunicação, as redes sociais passaram a ser fonte de renda também e alcance de novos públicos para os clubes de futebol. O PSG tem feito nos últimos dias cobertura intensa dos passos de Messi nos treinamentos. Vídeos e fotos são frequentemente publicados nas páginas oficiais do Paris. Isso gera interesse e fortalece a marca. Para Messi tudo isso também é novidade. Ele nunca esteve com outra camisa além da do Barcelona. A redes sociais vão tratar de mudar esse cenário em questão de tempo. Suas partidas até o primeiro gol também.

Antes da chegada de Messi, no Instagram, o Paris Saint-Germain possuía 38,8 milhões de seguidores. O número atual é de 47,9 milhões. Um incremento de 9,1 milhões de perfis que passam a acompanhar o dia a dia do time francês só por causa do argentino. Isso também significa mais dinheiro indiretamente na conta do clube francês. A publicação do acerto de Messi com o PSG em sua página pessoal levou 21,6 milhões de curtidas. É a segunda publicação relacionada ao esporte no Instagram com mais likes da história da ferramenta. A primeira também é do jogador, quando ele quebrou o jejum de títulos e ganhou a Copa América no Brasil: 21,8 milhões de likes numa única postagem.

No último sábado, dia da apresentação de Messi à torcida parisiense, estavam presentes no Estádio Parque dos Príncipes 46.962 pessoas, de acordo com a Ligue 1, que organiza o torneio francês. O espaço tem capacidade para 48 mil pessoas. Estava praticamente lotado. As dependências do PSG devem passar a ser ponto turístico ainda mais badalado nos próximos anos. Vai concorrer com a Torre Eiffel e com o Arco do Triunfo. A vitória por 4 a 2 sobre o Strasbourg não teve Messi ou Neymar em campo. O time foi conduzido por Kylian Mbappé, que tem futuro incerto na equipe.

A tão aguardada estreia de Messi segue como alvo de especulações. Mídias europeias apontam o dia 29 de agosto como o mais provável. Nessa data, o PSG visita o Reims, às 15h45 (horário de Brasília), pela 4ª rodada do Campeonato Francês. Há, porém, o desejo de que o argentino desfile seu futebol pela primeira vez com o uniforme do clube diante de sua torcida, o que aconteceria somente no dia 12 de setembro, diante do Clermont. A estreia na Liga dos Campeões será logo depois, provavelmente dia 15. Poderia ser outra opção, mas muito longe para a ansiedade do torcedor e do próprio Messi. Certeza mesmo é que será um grande dia para o PSG.

Messi deverá receber salário anual de 35 a 40 milhões de euros (cerca R$ 216 milhões e R$ 247 milhões na cotação atual). Apesar das regras de fair play financeiro - que regulam as contas dos times europeus para que não extrapolem seus gastos e explodam em dívidas -, o presidente do time, Nasser Al-Khelaifi, garante ter o aval de todos os departamentos responsáveis para cumprir com o contrato, levando em consideração principalmente os números de arrecadação que prometem se multiplicar até o fim do ano.

A contratação do craque argentino pelo Paris Saint-Germain reforça ainda a estratégia do Catar em investimento e conquistas. O time é de propriedade da QSi (Qatar Sports Investment), cujo CEO é o próprio presidente do clube. A empresa é subsidiária da Qatar Investment Authority, fundo de investimento comandado pelo emir Tamim bin Hamad al-Thani. A conquista da Liga dos Campeões pelo PSG nesta temporada e a recepção da Copa do Mundo poucos meses depois é a soma perfeita do sucesso dos seus dirigentes.

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