Chegada do melhor jogador do mundo já mexe com a cidade de Campinas

Cristiano Ronaldo vira nome de sanduíche de bacalhau e alvo da histeria das fãs

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2014 | 16h00

SÃO PAULO - Enquanto na porta do luxuoso resort Royal Palm a bandeira de Portugal já tremula, no balcão do City Bar sanduíches Cristiano Ronaldo são vendidos aos montes e o telefone da tradicional Casa de Portugal não para de tocar, tamanha a quantidade de garotas pedindo uma foto, um autógrafo e até mesmo um beijo do astro da seleção portuguesa. Campinas vive o clima de Copa do Mundo desde 17 de dezembro, quando a Federação Portuguesa de Futebol anunciou que a cidade será a base da equipe durante o torneio. Dois dias depois, foi a vez de a Nigéria confirmar a sua escolha pelo município.

Dos quase um milhão de habitantes de Campinas, nove mil são portugueses. Esse número, por si só, já seria suficiente para tornar o ambiente da cidade bastante hospitaleiro para a seleção lusitana. Mas tem mais: uma campanha pretende recriar na cidade o clima da Eurocopa de 2004, disputada em Portugal. Na oportunidade, Luiz Felipe Scolari, então técnico da seleção rubro-verde, convocou os moradores a enfeitar as suas casas com bandeiras do país. A campanha foi um sucesso e ganhou ainda mais força com o ótimo desempenho da equipe – pela primeira vez na história chegou à final do torneio.

"Receber uma seleção do porte de Portugal, com o melhor jogador do mundo, sempre envolve uma série de ações e sempre tem o seu risco, mas nós acreditamos que quanto mais a população estiver envolvida, menos espaço para riscos haverá. Por isso, preparamos essa campanha de mobilização para estimular as pessoas a decorar as suas casas com as cores de Portugal", conta a diretora de Turismo da prefeitura, Alexandra Caprioli.

Outro projeto tocado pela prefeitura que tem mexido com a população é um concurso entre alunos da rede pública de ensino que vai selecionar nove garotos para trabalhar como gandulas durante os treinos abertos da seleção – serão duas atividades no Estádio Moisés Lucarelli, que devem contar com público de até dez mil pessoas cada. Os demais treinos serão no Centro de Treinamento da Ponte Preta, que desde a última quarta-feira passa por reformas para se adequar às exigências do técnico Paulo Bento e da sua comissão técnica.

No City Bar, no entanto, não é preciso motivação extra para animar o proprietário José dos Santos Antônio, o Seu Zé. Para esse português nascido em Pombal, e morador do Brasil desde 1967, não há motivo de orgulho maior do que receber em Campinas a seleção do seu país. Por isso, assim que ficou sabendo que a delegação lusa ficaria na cidade, ele começou a organizar uma calorosa recepção para o time em Viracopos. "Vou levar três mil bolinhos de bacalhau para o aeroporto", promete Seu Zé. Ele também já acrescentou no cardápio do bar o lanche Cristiano Ronaldo. Por R$ 32, o cliente leva um suculento sanduíche com pão francês, bacalhau, salsa, azeitona, queijo e cebola murcha. "Todo mundo quer comer o Cristiano Ronaldo", brinca.

Não muito distante do City Bar fica a Casa de Portugal de Campinas. É lá que a comunidade lusitana da cidade se reúne para dançar fado e vira. É onde também o presidente Adelino da Ponte tem recebido centenas de pedidos de encontros com Cristiano Ronaldo. "As meninas chegam e falam: 'Me leva para dar um beijo no gajo'. Para não desanimar as garotas, digo que vou levar, mas sei que ele e os outros jogadores precisam de privacidade e tranquilidade para fazer uma boa Copa."

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