Eugenio Savio/AP
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Cheia de sigilo, cirurgia de Neymar em BH vira evento com festa e busca por fama

Procedimento cirúrgico no atacante do PSG e da seleção brasileira movimentou o entorno de hospital na capital mineira

Leandro Silveira, enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

04 Março 2018 | 15h58

O fim de semana em que Neymar permaneceu em Belo Horizonte para a realização de cirurgia para corrigir fratura no quinto metatarso do pé direito se transformou em um grande evento na região da unidade Contorno do Mater Dei, hospital onde ele foi operado, com a busca pela fama por anônimos, apoio ao atacante do Paris Saint-Germain e a tentativa de transformar a intervenção cirúrgica em algo secreto.

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Neymar desembarcou na capital mineira na noite de sexta-feira para passar pela operação na manhã seguinte com o médico Rodrigo Lasmar, da seleção brasileira e do Atlético-MG. E a partir da sua aparição, além da imprensa, inclusive a internacional, especialmente a francesa, o hospital na região centro-sul de Belo Horizonte atraiu todo tipo de curiosos ao local.

A cirurgia de Neymar nem foi das mais graves, mas o seu peso para o futebol mundial e a proximidade da Copa do Mundo, com o risco de que ele não chegue à Rússia em suas condições ideais, a transformaram em um grande acontecimento em Belo Horizonte.

Ainda que a situação envolvesse um problema com Neymar, houve quem o aproveitou para se divertir. Foi assim com dois grupos de jovens, que levaram cervejas e instrumentos musicais, além de máscaras do jogador, para celebrar o craque em som elevado, mesmo na porta de um hospital, local em que o silêncio costuma ser encarado como regra máxima e exigência. E sem ter qualquer contato com o atacante, eles aproveitaram para tietar Gil Cebola, um dos "parças" do craque do PSG.

Além dele, Neymar teve a companhia, enquanto esteve no hospital, de outros amigos, da mãe Nadine, da irmã Rafaella e da namorada Bruna Marquezine. Juntos, eles assistiram, na confortável suíte em que o atacante ficou no pós-operatório, ao triunfo do time parisiense por 2 a 0 sobre o Troyes, no sábado, pelo Campeonato Francês, em uma das poucas informações sobre a rotina do jogador que foi repassada pelos presentes ao hospital, caso do médico Gerard Saillant.

Se resguardando na ética médica, os funcionários do hospital, incluindo a sua assessoria de imprensa, trataram de manter total sigilo sobre qualquer detalhe da operação do atacante, incluindo, por exemplo, o horário em que ela seria realizada. Mas muito menos do que por uma decisão do Mater Dei, isso também se deu por um conflito entre a seleção brasileira e o Paris Saint-Germain, com o clube francês decidindo concentrar a divulgação de informações, ainda que com o aval da CBF.

Assim, uma entrevista com Lasmar, que já tinha uma sala e estrutura reservadas para acontecer, não ocorreu, com as informações sobre a operação sendo apresentadas através da divulgação de um comunicado oficial, seguido por um pronunciamento breve do médico da seleção e de Sailltant, com a tentativa de reforçar o discurso de que não houve qualquer desentendimento entre as partes, embora opiniões divergentes tenham sido apresentadas nos dias anteriores à cirurgia.

Do lado de fora do Mater Dei, também houve manifestações de carinho e carinho ao jogador por parte de crianças, que, no momento de maior bagunça durante o último sábado, jogavam futebol no hall de entrada do hospital em meio à passagem de pacientes entrando ou saindo do local, além da tentativa de entrega de presentes ao jogador e de emplacar uma entrevista em qualquer canal de TV em busca de algum minuto de fama.

E ainda houve espaço para a realização de pedidos com um certo tom mercantilista e manifestações das mais diversas, como contra o preço da gasolina por um grupo de motociclistas e outra contra a não liberação de medicamentos pelo STF. Tudo isso, porém, se dispersou a partir do momento em que Neymar decolou em um helicóptero e seguiu para o aeroporto da Pampulha, deixando Belo Horizonte para iniciar a recuperação da cirurgia na sua residência em Mangaratiba, no litoral fluminense, frustrando um grupo de freiras que o aguardava no local nesta manhã.

Com as ruas e as saídas do hospital quase em sua normalidade para uma manhã de domingo após a alta do atacante, Lasmar o deixou no seu próprio veículo e seguiu para o Independência, onde em menos de uma hora depois trabalhou no clássico entre Atlético e Cruzeiro, pelo Campeonato Mineiro. Lá, não quis falar sobre Neymar, dizendo que agora quer se concentrar em seu trabalho no clube mineiro. Ele tenta retomar a sua rotina após atrair tantos holofotes depois da passagem do craque por Belo Horizonte, assim como agora voltará a acontecer com o Mater Dei.

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