Susana Vera / Reuters
Susana Vera / Reuters

Cheio de manias e superstições, Simeone pode faturar mais um título pelo Atlético de Madrid

Basta uma vitória sobre o Valladolid, fora de casa, para o treinador faturar o Campeonato Espanhol e levantar sua oitava taça pelo clube

Fábio Hecico, especial para O Estadão

22 de maio de 2021 | 05h00

Não é nada fácil dirigir e fazer uma equipe vencedora em liga com os poderosos Real Madrid e Barcelona, os clubes mais ricos do planeta. Superá-los, então, missão das mais impossíveis. Para o argentino Diego Simeone, trata-se de um desafio duro e corriqueiro nos últimos nove anos, mas que está a poucas horas de render nova volta olímpica com o Atlético de Madrid. O maior vencedor da história do clube colchonero precisa de vitória simples diante do Valladolid, fora de casa, para erguer a taça do Campeonato Espanhol. Mesmo com orçamento menor e poucas estrelas, El Cholo mais uma vez pode levar o time ao topo do pódio. Seria a oitava conquista, segunda deixando os gigantes para trás em La Liga.

Luis Aragonês marcou história no comando do Atlético. Autor de 196 gols como jogador, o treinador até hoje é reverenciado pelos torcedores pelos 611 jogos na beira do campo e seis títulos conquistados, dentre eles o Mundial de 1974. Seguindo o mesmo caminho, e derrubando marcas, Simeone também merecerá ser eternizado na galeria de ídolos do clube. Já superou o espanhol em conquistas, podendo ampliá-las para duas (ficaria 8 contra 6) e no quesito vitórias, também deixou o ex-treinador para trás nesta temporada. São 315 contra 308 de Aragonês. Apenas na direção a distância é maior. Mesmo assim, caminha a passos largos para quebrar o recorde de partidas. Neste sábado dirigirá seu 527.° jogo.

Não são poucos os adjetivos que definem e mostram o que significa Diego Pablo Simeone na história do Atlético de Madrid. Mesmo com ele evitando o rótulo de ídolo. Para o torcedor do ‘Atleti’ é uma lenda.

Cheio de manias e superstições, sobretudo em jogos finais, quando evita a todo custo repetir o que não deu certo em outras decisões, Simeone mais uma vez pode ser campeão com brasileiros em seu plantel: o zagueiro Felipe e o lateral-esquerdo Renan Lodi.

A ajuda verde-amarela sempre esteve presente nos seus trabalhos vitoriosos em Madri. Começou com Paulo Assunção, Diego Ribas e Miranda na conquista da Liga Europa de 2011/12 e passou por Filipe Luís e Diego Costa. Agora é a vez do zagueiro ex-Corinthians e do ala ex-Athletico-PR poderem ajudá-lo em mais uma decisão.

Curiosamente, cinco deles são de posições defensivas. “Como treinador, é um dos principais que já tive, um grande líder. Ele conseguiu conciliar a tática italiana com a agressividade do sul-americano e isso casou muito bem com o Atlético de Madrid”, afirma o zagueiro são-paulino Miranda, que cresceu muito jogando com o argentino e atualmente é um dos melhores do país no setor. 

Para Diego Ribas, do Flamengo, o técnico é especial. “Simeone foi um dos melhores treinadores com quem eu já trabalhei por ser bom taticamente e, também, equilibrar isso com o lado pessoal. Sabe gerir muito bem o grupo”, diz Diego. 

Imposição física, entrega total e luta até o fim são as características principais dos times de Simeone. Com bela dose de eficiência no jogo aéreo e nos contragolpes. Garante que nunca armou times para bater e, sim, para neutralizar os oponentes. Tática que costuma dar certo contra os gigantes da Europa, neutralizados pelo paredão defensivo colchonero. O Atlético parece se multiplicar contra os favoritos e, assim, os surpreende.

Apesar das características defensivas, o argentino também sabe se impor e quer, mais uma vez, provar isso diante do Valladolid. Tudo começou como jogador. El Cholo conquistou o Espanhol e a Copa do Rei na inesquecível temporada de 1995/96. Como técnico, busca o bicampeonato espanhol. Também ergueu duas Ligas Europa e duas Supercopas da Uefa, além de uma Copa do Rei e uma Supercopa da Espanha. Ficou a um triz da glória maior na Liga dos Campeões de 2014. Vencia o Real Madrid até os 48 do segundo tempo, quando sofreu o empate. Acabou caindo na prorrogação e voltaria a perder a decisão, dois anos mais tarde, novamente para os merengues. Aí estão suas maiores frustrações.

Apaixonado por uma boa culinária, Simeone não dispensa carnes à mesa. Amante de um bom churrasco, quer sempre ter uma entrécula (bife de saia), parte nobre do bezerro, no prato. Também não dispensa camarões. Adora conviver em família, viajar, ver filmes e ter um vida comum, como qualquer um. Nada de luxos e exibicionismo.

Vivendo e fazendo o simples na rotina colchonera, Simeone se tornou gigante no lado vermelho e branco de Madri. Até quando? O técnico ainda não definiu o futuro. Tem vínculo até junho de 2022. Sem saber se renovará contrato com o Atlético, tem duas certezas: nunca o verão treinar o rival Real Madrid, tampouco a seleção brasileira. El Cholo é patriota e colchonero ao extremo.

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