Reuters/ Tony Obrien
Reuters/ Tony Obrien

Chelsea faz campanha contra o racismo neste sábado

Jogadores usam patch de iniciativa do clube a favor da igualdade; torcedores mostram faixa 'pretos ou brancos somos todos azuis'

RAFAEL PEZZO, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 18h52

O Chelsea usou a partida deste sábado, diante do Burnley, para fazer propagandas contra a discriminação após o caso de racismo envolvendo seus torcedores no metrô de Paris. Na entrada do estádio Stamford Bridge, adesivos da campanha "Support Chelsea Support Equality" (Torça para o Chelsea, torça para a igualdade) foram distribuídos para os torcedores. A iniciativa criada em 2009 pelo clube "Building Bridges" para combater a descriminação também foi colocada nas placas de publicidade ao redor do gramado e no uniforme dos jogadores do clube.

Foram mostradas nos telões do estádio imagens de pessoas sendo presas e frases como "See it. Hear It. Report It." (Veja. Ouça. Denuncie) e "Discrimination is not acceptable" (Descriminação não é aceitável).

Além das iniciativas do clube, torcedores também se manifestaram. Um exemplo foi uma placa atrás de um dos gols do campo pintada com "Black or white, we're all BLUE" (Preto ou branco, somos todos azuis). Outra torcedora segurava um panfleto com uma paródia da música cantada pelos agressores em Paris.

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Manifestações anti-racistas também foram vistas no Etihad Stadium, em Manchester, durante o confronto de City x Newcastle. Um torcedor negro pedia prisão aos racistas, desculpas a Suleymane e dizia que ele próprio poderia ter sido o ofendido. 

 

HISTÓRICO

Em 2011 o Chelsea esteve envolvido em outro caso de racismo, mas dentro de campo. O capitão John Terry foi acusado de ofender o zagueiro do Queens Park Rangers Anton Ferdinand durante uma partida em 1º de novembro de 2011, no Loftus Road. Uma investigação policial foi instalada no caso e, sete meses depois, o jogador foi multado em 220 mil libras (R$ 970 mil) e suspenso por quatro jogos. Entre o processo e a punição, Terry perdeu a braçadeira de capitão e, mais tarde, anunciou a aposentadoria do time nacional.

John Terry jogou na seleção inglesa ao lado do irmão de Anton, Rio Ferdinand, por anos. Depois do caso os dois jogadores nunca mais se falaram. Em sua biografia, Ferdinand disse que Terry nunca se desculpou pelo ocorrido e, acredita ele, nunca realmente teve noção do que fez. "Enquanto capitão da seleção inglesa, e meu parceiro no centro da defesa, ele podia ter poupado muita dor a toda gente se tivesse admitido de imediato que tinha usado a palavra (preto) no calor do momento, mas que não era racista", escreveu Ferdinand. 

 

RELEMBRE O CASO 

Na última terça-feira, horas antes da partida entre Paris Saint-Germain x Chelsea pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, torcedores do time inglês impediram que um francês negro embarcasse em um vagão do metrô de Paris. Uma testemunha fez um vídeo com o celular da situação e flagrou também quando os ingleses cantaram "we're racists, we're racists, and that's the way we like it" ("somos racistas, somos racistas, e é assim que nós gostamos"). O gravação foi publicada pelo jornal britânico The Guardian e gerou revolta no mundo todo.

Em resposta ao ato, a diretoria do clube londrino baniu cinco torcedores de frequentarem os jogos do clube e também convidou Souleymane, o agredido pela torcida inglesa, a assistir o jogo de volta entre Chelsea x PSG em Stamford Bridge.

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