Chilavert reage e critica Scolari

O goleiro Chilavert, do Paraguai, ironizou hoje os comentários do técnico Luiz Felipe Scolari de que ele estaria com "400 quilos de gordura" como forma de incentivar os chutes de distância da seleção brasileira. "Estou com o mesmo peso de sempre... 250 quilos", afirmou o arqueiro de 36 anos, 1 metro e 87 centímetros de altura e 97 quilos pesados na balança. "A mim as críticas causam risos." De short e camiseta, Chilavert participou durante a manhã de uma entrevista coletiva ao lado do técnico Sérgio Markarián, no Hotel Holliday Inn, onde a delegação está hospedada em Porto Alegre. Os dois disseram conhecer bem Scolari e afirmaram não acreditar que o brasileiro tenha feito as declarações. Mesmo assim, o goleiro levantou os braços para mostrar que não estava gordo."Se estou fora de forma, por que a Fifa me elegeu o terceiro melhor goleiro do mundo?", questionou. "Qual outro goleiro sul-americano fez sucesso na Europa nos últimos 16 anos?", continuou, lembrando que joga no futebol francês, atual campeão do mundo. "Nós também vamos pedir que nossos jogadores chutem a gol", complementou Markarián.O técnico paraguaio comandou um treino coletivo fechado no Estádio Beira Rio, hoje à tarde, e disse que não fará nenhum esforço especial para neutralizar o lado esquerdo de ataque do Brasil, embora reconheça o talento de Roberto Carlos. "Disse há muitos anos que ele é o jogador mais potente e coordenado que já vi na minha vida", recordou. "Hoje não sei se é o melhor, pois a raça negra já colocou no mundo muitos jogadores com potência e coordenação." O anúncio da escalação da equipe que enfrentará o Brasil ocorrerá na manhã desta terça-feira. Três titulares de defesa - Gamarra, Ayala e Caniza - estão de fora do time por lesão ou suspensão, mas Chilavert não vê perigo nisso. "Temos uma defesa nova, mas com experiência, e estou atrás para comandar", afirmou. "A seleção paraguaia está organizada desde 1996 e se tornou uma família." Segundo ele, o Paraguai respeita, mas não teme o Brasil e entrará em campo disposto a arrancar uma vitória. "Não vamos nos conformar com um empate. Viemos para ganhar o jogo", disse Chilavert, acrescentando que uma conquista como essa daria alegria ao povo "sofrido" de seu país.Despreocupado com a pressão da torcida gaúcha, ele lembrou que em 1994, quando era goleiro do Velez Sarsfield, calou 120 mil pessoas no Estádio Morumbi ao defender os pênaltis que tiraram o título da Libertadores do São Paulo. De acordo com Chilavert, o Paraguai deverá jogar com inteligência contra o Brasil, aproveitando o momento do futebol brasileiro. O jogo de quarta-feira, segundo ele, é apenas "uma partida a mais" para o Paraguai, enquanto para o Brasil equivale a "uma final com a França".

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