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Chile e Brasil quebram protocolo sanitário com visita de cabeleireiro na Copa América

Federação e jogadores chilenos se desculparam neste domingo; CBF ainda não se pronunciou

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2021 | 16h12

A federação chilena de futebol reconheceu neste domingo, 20, uma quebra do protocolo sanitário de prevenção à covid-19 com a presença não autorizada de um cabeleireiro na concentração do time em Cuiabá (MT) onde o time está concentrado para a disputa da Copa América. A seleção brasileira também recebeu a visita de um cabeleireiro na Granja Comary, em Teresópolis, na semana passada, mas a CBF não confirma oficialmente. A entidade informou que não vai se pronunciar. 

"A Federação e a comissão técnica reconhecem o rompimento da bolha sanitária da delegação com a entrada não autorizada de um cabeleireiro que, apesar de ter um teste PCR negativo, não deveria ter entrado em contato com os jogadores”, informou a federação chilena em um comunicado publicado nas redes sociais.

Qualquer infração é comunicada ao Departamento de Competições e daí para o Comitê Disciplinar da Conmebol, que toma as providências. O caso chileno representa uma infração ao protocolo, que é parte integrante do Regulamento de Competições. Deve haver punições. "Por garantia, toda a delegação chilena fez testes de antígeno hoje (segunda-feira), além do teste PCR de ontem (domingo) e estão todos negativos. Aqui a tolerância é zero e o controle, máximo", afirmou Jorge Pagura, chefe da comissão médica da CBF. 

O especialista afirmou que ainda não foi informado sobre o episódio do Brasil, mas diz que a "regra é para todos, sem exceção". 

A federação chilena foi multada em US$ 15 mil (cerca de R$ 76 mil). A entidade, por sua vez, informou que "os envolvidos serão sancionados financeiramente". O meia Arturo Vidal, o atacante Eduardo Vargas e o zagueiro Gary Medel publicaram fotos em suas redes sociais com um cabeleireiro, provavelmente nos quartos do hotel. As imagens foram publicadas antes do jogo contra a Bolívia, na sexta-feira.

Na noite deste domingo, o capitão e goleiro chileno Claudio Bravo admitiu o erro da delegação em entrevista coletiva. “Assumimos nosso erro com total personalidade. Acredito que estamos numa situação em que a pandemia é muito forte. Se falhamos estamos alimentamos coisas erradas. O mais importante é assumir os erros. Somos responsáveis nesse sentido. Assumimos que erramos por termos permitido a entrada de uma pessoa, mesmo tendo avisado”, disse Bravo.

Um cabeleireiro também esteve na concentração da seleção brasileira antes da partida contra o Peru, na sexta-feira, na Granja Comary, em Teresópolis. Ele pintou e cortou o cabelo dos jogadores. O profissional fez um teste rápido para detecção de covid-19, que deu negativo. A CBF ainda não se pronunciou sobre o episódio. Os últimos testes da seleção continuam resultados negativos.

Mais de 15 mil testes

De acordo com a Comissão Médica da Conmebol e o Ministério da Saúde, mais de 99% dos 15.235 testes de detecção de covid-19 realizados desde o início da Copa América até hoje foram negativos. Apenas 140 testes foram positivos, um número que representa 0,9% do total. A entidade não informou quantos casos são de delegações estrangeiras participantes do torneio. Já houve casos nas seleções da Venezuela, Colômbia, Chile e Bolívia. A maioria dos afetados é formada por trabalhadores, membros de delegações e pessoal terceirizado, de acordo com a entidade. 

Em comparação com o relatório anterior, ainda de acordo com as entidades, a incidência do coronavírus diminuiu. "É um sinal claro de que as medidas preventivas e os protocolos de saúde estão funcionando conforme o esperado",  diz nota da Conmebol. 

De acordo com Jorge Pagura, apenas um caso precisou de hospitalização por precaução, mas já teve alta. O membro da comissão técnica da Venezuela não necessitou de cuidados de uma Unidade  de Terapia Intensiva (UTI). "Após o número grande de contaminações da equipe da Venezuela, está tudo sob controle em relação aos novos casos", diz o especialista. “Nós estamos trabalhando numa América do Sul com um índice muito alto de transmissibilidade. O número de casos na Copa América é alto porque ele é alto em toda a América do Sul”, afirma Pagura.  

A pandemia continua fora de controle no País. Com lentidão na vacinação, baixa adesão às medidas de isolamento social e sem políticas nacionais de testagem em massa, o Brasil atinge neste sábado, 19, a marca de 500.022 mortes pela covid-19. 

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