Chile não muda seu destino, mesmo com nova mentalidade

Time tem grandes jogadores e Jorge Sampaoli, um técnico inovador. Mesmo assim, caiu, mais uma vez, diante da seleção brasileira

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 16h02

A seleção chilena cumpriu à risca seu ingrato ritual nos jogos decisivos contra o Brasil. Perdeu como nas outras três Copas do Mundo. Pior: repetiu as quedas de 98, na França, e 2010, na África do Sul, quando também foi derrotada pela seleção brasileira na fase oitavas de final.

O que torna esta eliminação precoce ainda mais dolorosa que as duas últimas é o fato de que ela se deu num cenário promissor. Não faltavam talentos, principalmente no meio de campo e no ataque.

O Chile confiou que venceria e eliminaria o Brasil porque tem jogadores protagonistas em grandes clubes europeus: Arturo Vidal (Juventus) e Alexis Sánchez (Barcelona).

Outra razão que encheu os chilenos de esperança. A seleção, que havia perdido “na véspera” ao cair no grupo com seleções fortes como Espanha e Holanda, ganhou ainda mais força ao conseguir a classificação.

O caminho tortuoso, porém, estava traçado. Já se sabia que, caso o Chile terminasse em segundo lugar do grupo B, enfrentaria (de novo) o Brasil nas oitavas de final. Também foi decretado o fim da linha, por antecipação. E aqui, desta vez, aconteceu o previsto.

Trabalhou-se muito o psicológico da seleção chilena. O técnico Jorge Sampaoli institui uma nova mentalidade. O Chile passou a ser temido e não encarava mais o Brasil como equipe franca favorita.

E claro que ninguém duvida de que houve uma mudança de ‘mentalidade’, como os jogadores ressaltaram durante todo o Mundial, mas só isso não foi suficiente para mudar o destino.

Pesaram o fator local, o Mineirão lotado de brasileiros, e o histórico favorável ao Brasil também. Não só em Copas, diga-se. O Chile é eterno freguês do Brasil. Em 68 jogos na história (dados da Fifa), os chilenos venceram apenas sete vezes.

A melhor classificação do Chile em Copas do Mundo foi em 1962, disputada em seu país: 3º lugar. Mas foi o Brasil que derrotou os chilenos nas semifinais. Vavá e Garrincha, com dois gols cada, foram os responsáveis pelo placar de 4 a 2.

Em 98, o Chile tinha uma excelente dupla de ataque, Marcelo Salas e Ivan Zamorano, mas foi derrotado pelo Brasil de Ronaldo Fenômeno, que marcou dois na goleada por 4 a 1 – Cesar Sampaio fez os outros dois.

Com Bielsa, em 2010, havia um sentimento como o desta Copa, de que era possível vencer o Brasil. Nova goleada: 3 a 0. 

Esta é a quarta queda contra o Brasil em fases eliminatórias de Mundiais. Para o Chile, é uma pena, porque talvez essa seleção idealizada e treinada com afinco por Jorge Sampaoli pudesse ir mais longe se o sorteio lhe tivesse sido um pouco mais favorável. Seleções mais fracas estarão nas quartas de final.

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