Chile vê partida contra Holanda como uma final

Chilenos dizem que estão preparados para encarar qualquer equipe, mas o treinador quer evitar confronto com o Brasil

Vítor Marques - Enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 05h00

Holanda, Holanda e Holanda. Esqueçam o Brasil. Está é a ordem na seleção chilena depois da vitória histórica (2 a 0) sobre a campeã do mundo Espanha. O discurso é entoado por jogadores, técnico e também por dirigentes da federação chilena, como o presidente Sergio Jadue.

Ele não respondeu a nenhuma pergunta direta feita por jornalistas brasileiros sobre o possível confronto das oitavas de final. Brasil ou México, qual rival o Chile prefere?

"Não estamos pensando no adversário das oitavas, estamos pensando na Holanda. Todas as 32 seleções do Mundial merecem respeito, imaginem então quando ficarem apenas 16 seleções", afirmou.

A reportagem do Estado perguntou ao dirigente se ele acredita que o Chile hoje tem condição de jogar de igual para igual contra a seleção brasileira, levando em consideração a campanha das equipes neste Mundial. Jadue disse que o Chile, graças ao trabalho de Sampaoli e dos jogadores, tem condição de enfrentar qualquer equipe, mas em nenhum momento citou a seleção brasileira.

"Peço que entendam o que vou dizer, com muita humildade. A intenção da comissão técnica, dos jogadores e da federação é que o Chile enfrente todos os rivais de igual maneira em todos os campos do mundo, temos a certeza de que estamos conseguindo isso."

Pelas declarações de Sampaoli após a vitória sobre a Espanha, o Chile encara o jogo contra a Holanda como uma final para que, dessa forma, evite jogar contra o Brasil nas oitavas. Para que Brasil e Chile se enfrentem nas oitavas de final, são necessários dois cenários. Primeiro, a seleção brasileira tem de confirmar a classificação e a primeira colocação do Grupo A. Em segundo lugar, o Chile, já classificado, teria de tropeçar diante da Holanda, encerrando a primeira fase como segundo colocado do grupo B. Esse é o cenário que Sampaoli não quer.

"Temos de tratar de fazer um esforço contra a Holanda, outra potência do futebol mundial, para não chegarmos em segundo (no Grupo B)", afirmou o técnico depois do jogo de quarta-feira no Maracanã.

Os jogadores continuam com o discurso de que é melhor pensar jogo a jogo e não impor metas. O zagueiro Gary Medel é uma exceção e um dos poucos que falam publicamente que o Chile "vai longe" no Mundial. Jadue, mais uma vez, pregou cautela.

"Sou, talvez, o mais jovem presidente de federação; do futebol chileno sou, tenho 35 anos, e aprendi que temos de colocar os pés no chão. Ir jogo a jogo. Agora prefiro ter jogadores ganhadores do que não tê-los".

O volante Aránguiz, autor de um dos gols da vitória sobre a Espanha, sentiu uma lesão no joelho direito. A contusão, segundo os médicos, não é grave e ele tem chance de enfrentar a Holanda.

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