Martin Bernetti/AFP
Martin Bernetti/AFP

Chile bate Argentina nos pênaltis e conquista 1º título de sua história

Anfitriões levam taça após triunfo por 4 a 1 nas penalidades

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2015 | 20h08

O Chile esperou 105 anos, 120 minutos e uma decisão por pênaltis para conquistar o primeiro título de sua história. Depois do 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a equipe venceu por 4 a 1 nos pênaltis e conquistou a Copa América em casa. Higuaín e Banega perderam suas cobranças pela Argentina, que acumula o segundo vice-campeonato seguido - perdeu a Copa no ano passado - e 22 anos de jejum. Messi continua sem títulos com a seleção.

O título não veio só dentro de campo. Com 40 mil pessoas gritando e agitando bandeiras, o Chile começou a ganhar o jogo na hora do hino, emocionante. Durante todo o jogo, a torcida fez uma bela festa nas arquibancadas do Estádio Nacional. O título deste sábado coroa a geração de Valdivia, Vidal, Bravo e companhia como a melhor da história do futebol chileno.

No início, curiosamente, a experiente e cascuda Argentina começou acuada e não conseguia ficar com a bola. Sem saída, esticava as jogadas esperando que Agüero fizesse o pivô para o time sair do sufoco. “Curiosamente” porque nos jogos anteriores, a equipe fez o rival dançar o seu tango. No primeiro tempo, não funcionaram as triangulações que o time cansou de fazer contra o Paraguai, por exemplo. Messi e Pastore não conseguiam se achar.

Com uma marcação adiantada, o Chile obrigou a Argentina a rifar a bola. Alexis, no entanto, era a engrenagem que girava em falso. Não conseguia dar continuidade. Valdivia estava bem, mas sofreu com um rodízio de faltas dos rivais. Nesse torniquete que ia dando uma volta atrás da outra, o Chile conseguiu só uma boa chance com Vidal, aos dez. Romero salvou.

Essa Argentina espremida em seu canto de defesa só começou a expandir depois dos 15 minutos, quando usou o mesmo expediente dos chilenos: marcar a saída de bola. Em uma falta, Messi colocou a bola na cabeça de Agüero. Foi a vez de Bravo fazer seu milagre.

Di María sentiu um problema muscular, golpe duro na estratégia de Tata Martino. Pela segunda vez, o meia perdia uma final - na Copa do Mundo, ele não atuou também por estar contundido. Lavezzi entrou, mas a equipe desceu um degrau.

As duas equipes fizeram um belo jogo tático, muito diferente da atuação da seleção brasileira no torneio. O técnico do Chile, Jorge Sampaoli, explorava o lado direito, colocando Isla, Valdivia e Vidal em cima do lateral Rojo. Por vezes, atacava com Beausejour e Sánchez. Sem Di María, o técnico argentino espetou Pastore para aproveitar os espaços deixados por Isla. Foi aí que saiu a bola do primeiro tempo: Lavezzi chutou em cima de Bravo e perdeu o gol aos 47.

A fluidez e o dinamismo do primeiro tempo foram perdendo o passo. O peso da decisão tornava cada passe mais mascado e, na maioria das vezes, torto. Mais inteiro fisicamente, o Chile mostrou que seu jogo coletivo era mais efetivo que as jogadas individuais de Messi. Sánchez mostrou isso com um chute cruzado aos 36.

Os protagonistas Messi e Valdivia perderam a intensidade, e já não conseguiam vantagem sobre as defesas. O chileno acabou substituído por Fernandez. O argentino, mesmo cercado por três, criou as duas melhores chances do segundo tempo. Após um cruzamento seu, Rojo foi seguro, mas o árbitro não viu. Foi pênalti. No último lance, Higuaín não chegou a tempo de definir o título.

A prorrogação tornou as cores do jogo normal mais acentuadas. Cansada, a Argentina apostou no contra-ataque, e deixou o Chile com a bola. Mais vivo e objetivo em todo o jogo, o time da casa não queria aguardar os pênaltis. Na última cobrança, Alexis deu uma cavadinha e definiu. Valeu esperar. 

FICHA TÉCNICA

CHILE 0 (4) X 0 (1) ARGENTINA

CHILE - Bravo; Isla, Medel, Francisco Silva e Beausejour; Díaz, Aránguiz, Vidal e Valdivia (Matías Fernández); Vargas (Angelo Henríquez) e Alexis Sánchez. Técnico: Jorge Sampaoli.

ARGENTINA - Romero; Zabaleta, Demichelis, Otamendi e Marcos Rojo; Mascherano, Biglia e Pastore (Banega); Di María (Lavezzi), Messi e Agüero (Higuaín). Técnico: Gerardo Martino.

CARTÕES AMARELOS - Medel, Francisco Silva, Díaz, Aránguiz (Chile); Rojo, Mascherano, Banega (Argentina).

ÁRBITRO - Wilmar Roldán (Fifa/Colômbia).

RENDA - Não divulgada.

PÚBLICO - 45.693 pessoas.

LOCAL - Estádio Nacional, em Santiago (Chile).

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