Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Veja o momento em que um PM agride um jornalista chileno em confusão na Arena Corinthians

Jornalista conta como passou as últimas horas preso, após confusão em jogo pela Copa Sul-Americana

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2017 | 17h52

O Estado teve acesso com exclusividade a um vídeo em que o jornalista Cristopher Antúnez aparece sendo agredido e ameaçado por policiais durante a confusão na partida entre Corinthians e Universidad de Chile, quarta-feira, na Arena Corinthians. No vídeo, filmado pelo jornalista, é possível ver ele conversando com um torcedor que estava aparentemente algemado, quando um policial tenta impedir a filmagem e dá início a uma discussão.

Na gravação, que dura 51 segundos, é possível ouvir Antúnez explicando que era jornalista, mas mesmo assim foi obrigado a parar a filmagem e teve que acompanhar os policiais até a delegacia. "Você vai junto, é testemunha", gritava um policial, repetidas vezes. "Você vai na boa ou vai na 'porrada'? Então, fica de boa", completou o PM. Até o momento da publicação da matéria, a polícia não se manifestou sobre o assunto.

O Estado questionou a PM sobre o vídeo e a suposta agressão por e-mail, e também tentou contato telefônico, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.


Veja o vídeo completo:

Em entrevista exclusiva ao Estado, Cristopher Antúnez, que trabalha para a rádio Universidad de Chile, lembra os momentos de pânico que teve durante a confusão. Ele ficou preso por cerca de 12 horas e contou ter vivido os piores momentos de sua vida. 

"Quando terminou o primeiro tempo, recebi a informação de que havia torcedores da La U agredidos e muito feridos sendo atendidos em uma ambulância. Fui até a torcida e no caminho vi a ambulância com um torcedor ferido. Apontei a câmera para o torcedor e perguntei o que estava acontecendo. Foi quando um policial já chegou me dando um soco e tomou meu celular", contou o chileno, que foi o primeiro dos detidos liberados pela PM.

Assustado com a confusão, Antúnez pensou em deixar o local e voltar para a área de imprensa, mas não foi autorizado. "Eu pensei que tinha acabado e quando ia voltar, não me deixaram. Tomaram minha câmera, saíram batendo em todo mundo. Colocaram os torcedores sentados no chão. Foi uma experiência muito ruim, a pior que vivi na vida", lamentou.

O jornalista criticou ainda a polícia e o Corinthians. "Estou livre, mas penso nos jovens que ainda estão lá. Houve muita violência da torcida. Eu estava trabalhando e só queria entender da polícia do porque eu estava sendo preso. Pedimos ajuda do Corinthians e ninguém apareceu para ajudar", explicou.

Antúnez contou ainda que chegou a ver um funcionário do Corinthians presenciando toda a confusão, mas ele não fez nada para ajudar. "Falei com uma pessoa que estava com identificação do Corinthians. Disse que ele era jornalista e estava trabalhando. Ele me tratou mal, falou que não era policial e que não tinha nada a ver com a história. Ficamos sozinhos e o Corinthians me deve um pedido de desculpas", contou. "A polícia, dentro da sua loucura, vendo companheiros feridos, talvez justifique um pouco a loucura, mas o Corinthians não poderia ter agido desta forma", completou.

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